O mercado cripto enfrenta uma desconexão evidente entre os preços de tela e a sua utilidade prática. Embora as cotações sinalizem um momento de baixa, o volume de stablecoins atingiu a máxima histórica de US$ 1,79 trilhão em junho, mostrando que a infraestrutura do setor continua se expandindo de forma acelerada.
De acordo com dados da Bitwise e da Visa, o segundo trimestre marcou o terceiro período consecutivo de perdas para os ativos digitais, a maior sequência de desvalorização desde 2022. O índice Bitwise 10 Large Cap Crypto, por exemplo, recuou 15,4% no período.
Apesar do recuo nos preços, a estrutura atual do mercado é praticamente o dobro do tamanho registrado no ciclo de baixa anterior. Desde as mínimas de 2022, as transações na rede Ethereum cresceram cerca de 13 vezes, as finanças descentralizadas (DeFi) avançaram mais de 60% e a solidez do ecossistema impulsionou o volume de stablecoins em circulação.
O impacto institucional e o novo recorde no volume de stablecoins
No acumulado do ano, as transferências de moedas pareadas ao dólar superaram em 2,3 vezes o volume de pagamentos processados pela bandeira Visa. Nesse cenário, o USDC despontou ao capturar cerca de dois terços de todo o volume de stablecoins movimentado no mês de junho.
A atividade institucional tem sustentado essa resiliência no desenvolvimento do setor. Enquanto o varejo reduziu suas posições, fundos e grandes investidores adquiriram cerca de 829 mil Bitcoins ao longo de 2025, contrapondo a venda de 696 mil BTC por parte de carteiras de menor porte.
Outros setores também registraram marcas expressivas recentemente. O mercado de ativos do mundo real tokenizados (RWA) expandiu 50,3% este ano, alcançando US$ 32,89 bilhões, enquanto os mercados de previsão movimentaram um recorde de US$ 43,2 bilhões no trimestre.
Para Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, essa divergência pavimenta o caminho para o futuro. Segundo o executivo, “essa base não impedirá o inverno, mas determina o que crescerá na primavera”, indicando que a utilidade real deve guiar a próxima fase de valorização.



