USDT mantém força global mesmo com bloqueios da regulamentação MiCA na Europa

USDT mantém força global mesmo com bloqueios da regulamentação MiCA na Europa

A saída da Tether, emissora da stablecoin USDT, de plataformas europeias licenciadas avança, mas a demanda global pela maior stablecoin do mercado continua forte. Empresas como a Revolut anunciaram a remoção do ativo até 31 de agosto, ajustando suas operações às exigências da regulamentação MiCA na União Europeia.

As regras do bloco europeu estão em fase de implementação desde 2024. O período de transição terminou em 1º de julho, forçando as corretoras a retirar tokens que não cumprem as novas diretrizes de conformidade. No entanto, dados da Artemis Analytics mostram que a restrição europeia não reduziu o uso global do ativo.

Alex Weseley, pesquisador da Artemis, afirma: “Os dados não indicam nenhuma mudança perceptível na oferta ou demanda de USDT atribuível diretamente à entrada em vigor da regulamentação MiCA na Europa”. Ele destaca que não houve migração em massa de redes ou corretoras.

O uso de stablecoins atreladas ao dólar superou a função básica de reserva de valor, tornando-se infraestrutura financeira em mercados emergentes. Na Argentina, a plataforma Lemon processou US$ 9,3 bilhões em 2025, um aumento de 60% em relação ao ano anterior, com 1,8 milhão de usuários ativos.

Ignacio Gimenez, gerente da Lemon, explica que os sul-americanos utilizam esses ativos para enviar dinheiro via PIX no Brasil ou receber pagamentos do exterior. “O que estamos vendo é uma mudança das stablecoins como reserva de valor para infraestrutura financeira”, relata Gimenez.

O futuro global após a regulamentação MiCA

Embora a regulamentação MiCA limite o acesso de usuários europeus, a expansão do ativo ocorre de forma acelerada em outras regiões. O número de usuários diários na Binance Smart Chain saltou de cerca de 318 mil em junho de 2024 para 1,56 milhão em julho de 2026. A rede Tron também registrou crescimento de 44% no mesmo período.

Maksym Sakharov, CEO da WeFi, observa que a legislação altera os canais de acesso, mas não elimina a necessidade estrutural do mercado. Segundo ele, os usuários escolhem uma stablecoin pela liquidez profunda e pela adoção de suas contrapartes, não apenas pela disponibilidade em uma plataforma regulada.

Corretoras como a OKX já não oferecem USDT na Europa há cerca de dois anos, antecipando o cenário regulatório atual. Erald Ghoos, CEO da OKX Europe, nota um interesse institucional crescente por stablecoins atreladas ao euro, que eliminam taxas de conversão cambial para o varejo local.

Ainda assim, o mercado de criptomoedas mantém o dólar como sua referência central de precificação. As novas diretrizes europeias redefinem o acesso regional e abrem espaço para alternativas em euro, mas não alteram a dominância da moeda americana no ecossistema cripto global.