USDT supera barreira dos 800 bolívares com agravamento da crise cambial na Venezuela

USDT supera barreira dos 800 bolívares com agravamento da crise cambial na Venezuela

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por Redação

A busca por estabilidade financeira fez a procura pelo USDT disparar na Venezuela nas últimas semanas. Na plataforma ponto a ponto (P2P) da Binance, a principal stablecoin do mercado ultrapassou a marca de 800 bolívares, refletindo a rápida desvalorização da moeda local.

Entre meados de maio e meados de junho, a cotação da moeda digital saltou de cerca de 690 bolívares para além dos 800. Embora o criptoativo mantenha o lastro de 1:1 com o dólar americano, o movimento evidencia a perda de tração da moeda venezuelana.

O analista de criptomoedas Hever Castro apontou que o Banco Central da Venezuela e os bancos comerciais não conseguem suprir a demanda por dólares através de seus guichês. Isso força pequenos comerciantes e poupadores a buscarem proteção no ecossistema digital.

Para piorar o cenário de inflação, a base monetária em bolívares expandiu 23% apenas na semana encerrada em 5 de junho, atingindo 2,17 trilhões de bolívares. Desde o início do ano, a circulação da moeda local saltou expressivos 131%, superando o ritmo de valorização do dólar no P2P.

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Novas regras impulsionam o mercado de USDT na Venezuela

Em 15 de junho, o Banco Central adotou medidas mais rígidas, limitando a compra de moeda estrangeira no sistema bancário a mil dólares por mês, com teto anual de 12 mil dólares e limite eletrônico semanal de 500 dólares. A restrição tenta conter o ciclo de arbitragem, onde usuários compram dólares oficiais para revender nas plataformas P2P.

No entanto, o economista Asdrúbal Oliveros avalia que as novas travas devem surtir o efeito oposto. Segundo o especialista, as limitações tendem a empurrar uma fatia ainda maior da população rumo ao mercado paralelo, ampliando a relevância do USDT na Venezuela.

Atualmente, a taxa oficial do governo gira em torno de 590 bolívares por dólar, gerando um ágio de quase 35% em relação ao mercado informal. Em regiões como Caracas, comerciantes independentes já reportam cotações que chegam a até 1.200 bolívares por dólar para conseguir a moeda norte-americana.

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