O mercado cripto vive um momento atípico. Enquanto os preços dos ativos enfrentam pressão de venda, o volume de transações com criptomoedas registrou um marco histórico no segundo trimestre de 2026.
Os dados são do novo relatório Market Pulse T2’26, divulgado pela gestora Hashdex. O documento aponta que o ecossistema registrou 17,6 bilhões de movimentações no período, evidenciando um forte descolamento entre a adoção da tecnologia e o valor nominal das moedas.
No campo dos preços, o cenário recente foi de retração. O Nasdaq CME Crypto Index, que rastreia uma cesta do setor, recuou 15,46% no trimestre. O movimento contrastou com a alta nos índices tradicionais americanos, refletindo uma dinâmica própria do período.
Fatores macroeconômicos, como a perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos e a forte migração de capital para o setor de inteligência artificial, pesaram no desempenho. O movimento resultou em saídas de US$ 9,1 bilhões dos ETFs cripto, deixando o valor de mercado global da categoria na faixa de US$ 2,2 trilhões.
O papel das stablecoins nas transações com criptomoedas
As stablecoins, moedas pareadas em ativos fiduciários como o dólar, assumiram a liderança no uso prático da tecnologia. O volume operado no primeiro semestre atingiu US$ 35,9 trilhões, superando todo o montante movimentado no ano de 2025.
A Hashdex ressalta que esse valor bruto inclui operações automatizadas por robôs e negociações diretas entre corretoras. Ainda assim, o indicador consolida o uso desses ativos como uma infraestrutura eficiente para liquidações e pagamentos.
O avanço nas transações com criptomoedas também encontra suporte na tokenização de ativos reais (RWAs). O valor de mercado desse segmento cresceu 43,9% no semestre, saltando de US$ 41,7 bilhões para US$ 59,4 bilhões.
A expansão institucional foi guiada principalmente por crédito lastreado (US$ 24,1 bilhões) e títulos do Tesouro americano tokenizados (US$ 15,2 bilhões). As ações tokenizadas também saltaram 128%, impulsionadas pelo interesse em papéis da SpaceX antes de seu IPO.
Para o segundo semestre, o relatório indica que a regulação americana, como o avanço do CLARITY Act, pode atuar como um catalisador positivo. No caso do Bitcoin, os indicadores de rede mostram que o ativo atingiu níveis de preço que, em ciclos anteriores, marcaram o fundo do mercado, restando saber quando essa alta adoção estrutural voltará a tracionar as cotações.


