Algoritmo de defesa quântica avança no Bitcoin mas deixa fortuna de Satoshi em xeque

Algoritmo de defesa quântica avança no Bitcoin mas deixa fortuna de Satoshi em xeque

Uma nova tecnologia promete revolucionar a segurança do Bitcoin diante da ameaça da computação quântica no futuro. A iniciativa, financiada pela Project Eleven, valida uma rota de recuperação rápida para carteiras vulneráveis em apenas 243 milissegundos usando um notebook comum.

O avanço utiliza provas de conhecimento zero (ZK-proofs) para atestar a propriedade de fundos sem expor chaves privadas. Contudo, essa barreira de proteção não se aplica aos 1,1 milhão de BTC minerados pelo criador pseudônimo da rede, Satoshi Nakamoto.

O impacto na segurança do Bitcoin e o destino de Satoshi

O problema central reside no formato das carteiras antigas. A proposta atual de transição quântica, batizada de BIP-361 e publicada em abril por Jameson Lopp e outros coautores, sugere bloquear depósitos em três anos e congelar fundos expostos após cinco anos, impactando mais de um terço do suprimento circulante.

Com a nova ferramenta, esse congelamento funcionaria como um cofre recuperável para usuários modernos, em vez de uma perda definitiva. O sistema depende inteiramente da estrutura de árvores de derivação de chaves (BIP-32), padrão adotado pela rede apenas a partir de fevereiro de 2012.

Como Satoshi Nakamoto minerou entre 2009 e 2010 e desapareceu em 2011, suas moedas foram geradas de forma independente e aleatória, sem uma chave mestra ou seed phrase. Sem essa hierarquia de chaves anteriores, o novo mecanismo falha em resgatar a fortuna histórica.

Vale destacar que a ameaça quântica afeta diretamente a segurança do Bitcoin ao basear-se no Algoritmo de Shor, capaz de quebrar a criptografia de curva elíptica tradicional. Funções de hash, contudo, continuam seguras, pois o Algoritmo de Grover apenas reduz a eficiência do código pela metade, mantendo os dados indecifráveis.

O protótipo desenvolvido em parceria com Jim Posen ainda não passou por auditorias, não suporta o formato Taproot e não opera em redes reais. Mesmo assim, ele muda o debate técnico ao oferecer uma alternativa viável para a preservação de patrimônios modernos que possuam suas chaves mestras.