Telegram anuncia carteira Gram nativa e sem custódia para 1 bilhão de usuários

Telegram anuncia carteira Gram nativa e sem custódia para 1 bilhão de usuários

O Telegram anunciou que vai integrar uma carteira Gram nativa e não custodial em todas as versões do seu aplicativo neste verão do hemisfério norte. O fundador Pavel Durov revelou a novidade no último domingo (21), classificando a iniciativa como a maior implantação de uma carteira de autocustódia da história.

Com a mudança, a base de mais de 1 bilhão de usuários ativos da plataforma terá acesso direto a transferências instantâneas e isentas de taxas com a carteira Gram. O recurso utiliza o token Gram, ativo que até o mês passado era conhecido como Toncoin, permitindo que os próprios clientes mantenham o controle direto de suas chaves privadas.

Apesar do anúncio, a empresa ainda não divulgou uma data de lançamento definitiva nem a lista completa de ativos compatíveis. Especificações técnicas detalhadas e o impacto sobre o produto custodial de carteira já existente no aplicativo também não foram revelados.

Plano “Make TON Great Again” impulsiona a carteira Gram

A reação do mercado ao comunicado foi imediata. A cotação do token subiu até a máxima diária de US$ 1,66 antes de estabilizar na casa de US$ 1,52, acumulando um ganho de 5,5% em 24 horas.

No ecossistema on-chain, o valor total alocado em protocolos DeFi da TON soma cerca de US$ 66 milhões. A rede contabilizou 117,6 mil endereços ativos e 3,85 milhões de transações no último dia, além de movimentar US$ 790 milhões em stablecoins, com a Tether (USDT) representando 85% desse montante.

A chegada da carteira Gram é o passo mais recente do plano “Make TON Great Again”, apresentado por Durov em abril. O projeto visa integrar a rede TON de forma mais profunda ao aplicativo, no qual o Telegram assumiu o papel de principal validador e reduziu as taxas de rede em cerca de seis vezes.

O próprio token passou a se chamar Gram em junho, após uma votação da comunidade que resgatou a denominação do projeto original de 2018. A mudança de nome impulsionou o ativo em até 19% na ocasião, sem exigir nenhuma troca de tokens por parte dos detentores ou validadores.

O projeto traz um histórico marcante no setor. O ativo original foi interrompido pela SEC dos Estados Unidos em 2020 após arrecadar US$ 1,7 bilhão, levando o aplicativo a devolver os fundos aos investidores antes que desenvolvedores independentes dessem continuidade ao código-fonte sob o nome Toncoin.