Stablecoins ganham espaço na infraestrutura bancária e impulsionam nova geração de fintechs

Stablecoins ganham espaço na infraestrutura bancária e impulsionam nova geração de fintechs

As stablecoins estão deixando de ser apenas um meio de movimentar ativos digitais para assumir um papel cada vez mais importante na infraestrutura financeira. Empresas do setor já apostam que o futuro dos bancos passa por trilhos baseados em stablecoins, reduzindo a dependência dos sistemas tradicionais de pagamentos.

Esse é o posicionamento da Wirex, empresa que ganhou notoriedade ao lançar um dos primeiros cartões de débito com criptomoedas em 2015. Em vez de disputar clientes diretamente com novos bancos digitais, a companhia decidiu transformar sua tecnologia em uma plataforma para outras empresas criarem seus próprios serviços financeiros.

Segundo Pavel Matveev, cofundador da Wirex, a mudança aconteceu após uma demanda crescente de empresas interessadas em replicar a estrutura construída pela companhia. Em vez de oferecer apenas um aplicativo para consumidores finais, a empresa passou a disponibilizar infraestrutura para emissão de cartões, contas e serviços ligados a stablecoins.

A estratégia também aproveita um diferencial importante da companhia: a Wirex possui associação principal com Visa e Mastercard, o que permite emitir cartões diretamente, sem depender de um banco intermediário. De acordo com Matveev, isso amplia a flexibilidade operacional e reduz custos da operação.

Stablecoins aceleram disputa pela infraestrutura financeira

Para o executivo, a transformação atual lembra o avanço das fintechs na última década, mas com uma diferença fundamental. Enquanto o primeiro ciclo foi marcado por interfaces mais simples e menores tarifas, agora a mudança acontece na camada de liquidação dos pagamentos.

“Banking is becoming a stablecoin”, afirmou Matveev durante participação no podcast On The Margin.

A Wirex afirma que sua divisão de infraestrutura, lançada no fim de 2025, atingiu US$ 1 bilhão em volume anualizado de cartões em apenas 131 dias. A empresa também diz ter ultrapassado 8 milhões de usuários e mais de US$ 20 bilhões processados desde 2014.

Matveev acredita que bancos digitais tradicionais enfrentam dificuldades para migrar totalmente para essa nova arquitetura por ainda dependerem de sistemas financeiros convencionais. Na avaliação dele, isso abre espaço para uma nova geração de fintechs construídas desde o início sobre stablecoins.

Nem todos compartilham dessa visão. Neo, CEO do banco on-chain UR, argumenta que emitir cartões conectados a stablecoins não representa, por si só, uma transformação estrutural do sistema financeiro. Para ele, a verdadeira vantagem competitiva continua sendo o controle sobre licenças bancárias e depósitos, e não apenas a camada de pagamentos.

Mesmo com interpretações diferentes sobre onde estará o maior valor dessa nova infraestrutura, o avanço das stablecoins reforça uma tendência observada em diferentes segmentos do mercado: empresas de pagamentos, fintechs e projetos de blockchain disputam espaço para construir os próximos trilhos do sistema financeiro digital.