O social trading está atraindo capital mesmo em um momento de pressão sobre os mercados e desaceleração do financiamento para startups do ecossistema cripto.
A plataforma Fomo anunciou uma captação de US$ 75 milhões, alcançando uma avaliação de US$ 550 milhões. A rodada foi liderada pela Index Ventures, com participação da Union Square Ventures e Benchmark. O movimento sinaliza uma mudança na tese de investimento em cripto: em vez de apostar apenas na infraestrutura, parte do mercado começa a olhar para onde os usuários descobrem oportunidades.
Mercado de criptomoedas desaba para mínimas do ano com liquidação das big techs em Wall Street
Social trading em criptomoedas muda o ponto de partida do investidor
Criada em 2025 por ex-executivos da dYdX — Se Yong Park, Paul Erlanger e Prashan Dharmasena, a Fomo reúne negociação multichain com um feed social onde usuários acompanham amigos, traders e carteiras públicas em tempo real. Segundo Park, o objetivo é construir um modelo de “trading for the rest of us”, tornando a experiência mais acessível para usuários que ainda não operam com ferramentas avançadas.
A aposta em social trading ganhou força após mudanças regulatórias nos Estados Unidos. Pouco antes da rodada da Fomo, reguladores esclareceram que aplicativos de criptomoedas não custodiais como o da empresa não precisam se registrar como corretoras tradicionais (broker-dealers), reduzindo uma barreira que historicamente empurrava parte dessa atividade para fora do país.
Para investidores entrevistados pela Forbes, o interesse não está apenas na negociação em si, mas na disputa por atenção e audiência dentro do ecossistema cripto.
A plataforma afirma ter alcançado cerca de 650 mil cadastros, com aproximadamente 30% dos usuários convertidos em traders ativos. Entre eles, cerca de 70 mil entraram utilizando meios tradicionais de pagamento, como transferências bancárias, cartão e Apple Pay — um indicativo de expansão além do público cripto tradicional.
Nos últimos ciclos, grande parte dos aportes de venture capital em cripto foi direcionada para infraestrutura, stablecoins, pagamentos e serviços institucionais. O caso da Fomo chama atenção por focar na camada de experiência do usuário.
A lógica por trás dessa aposta é simples: conforme entrar em cripto fica mais fácil, a vantagem competitiva pode deixar de ser quem executa a operação e passar para quem controla a descoberta de ideias. Nesse modelo, usuários encontram ativos, acompanham operações públicas, observam reputação e executam negociações sem sair do mesmo ambiente.
Executivos do setor apontam que esse formato também pode reduzir custos de aquisição de clientes, aproveitando mecanismos como compartilhamento de operações, rankings e efeitos de rede. Empresas tradicionais já começaram a testar conceitos parecidos. A Robinhood lançou o Robinhood Social em fase beta, enquanto outras startups exploram recursos como carteiras públicas, copy trading e feeds voltados para acompanhamento de traders.
Ao mesmo tempo, o modelo levanta novas discussões. Como negociações continuam sendo atividades altamente competitivas, maior visibilidade também pode incentivar comportamentos estratégicos — como usar compras públicas para atrair seguidores antes de encerrar posições.
Para a Fomo, a resposta em social trading está na construção de identidades persistentes on-chain e históricos públicos que aumentem responsabilidade e dificultem que participantes acumulem credibilidade sem consistência ao longo do tempo.



