Binance simula ataques hacker nos próprios funcionários

Binance simula ataques hacker nos próprios funcionários

A Binance adotou uma estratégia rigorosa para combater invasões no setor de criptomoedas: simular ataques cibernéticos contra seus próprios colaboradores. Mensalmente, a maior corretora do mundo testa a atenção da equipe contra táticas de engenharia social.

Os testes simulados são executados pelo “red team”, uma unidade interna de hackers éticos focada em encontrar vulnerabilidades antes dos criminosos. Segundo Jimmy Su, diretor de segurança da empresa, quem falha nas avaliações passa por treinamentos obrigatórios de reciclagem.

“Nós fazemos ataques de phishing em nossos próprios funcionários mensalmente apenas para entender se nossa higiene de segurança está melhorando”, explicou Su ao Cointelegraph. O executivo revelou que o processo já ocorre há três ou quatro anos e gerou avanços significativos.

O papel do ‘red team’ na Binance e as consequências internas

A preocupação com a segurança reflete o alto volume protegido pela plataforma. A Binance reporta 323 milhões de usuários registrados, enquanto dados da DefiLlama indicam que a plataforma guarda cerca de US$ 137,7 bilhões em ativos digitais.

O foco em engenharia social não ocorre por acaso. Em fevereiro, a AMLBot estimou que 65% dos incidentes de segurança cibernética em 2025 foram causados por esse tipo de manipulação. Em abril do mesmo ano, o Drift Protocol sofreu um ataque de US$ 285 milhões após uma longa campanha do gênero.

Entre as táticas utilizadas pelo time de teste estão simulações com falsos recrutadores de emprego e convites para eventos voltados à coleta de dados. Uma das fraudes mais conhecidas do setor envolve falsas chamadas no Zoom, onde vítimas baixam malwares disfarçados de atualizações.

Em setembro de 2025, um grande usuário do Venus Protocol perdeu aproximadamente US$ 13 milhões após ter o computador comprometido por um cliente malicioso do Zoom. O protocolo precisou pausar as operações e aprovar uma votação de emergência para recuperar US$ 11,4 milhões em posições.

Na corretora, o desempenho nesses testes afeta diretamente a avaliação profissional das equipes. Su afirmou que falhas graves e repetidas nas simulações de phishing podem levar à demissão do colaborador, garantindo vigilância constante na manutenção da segurança da Binance.