O mercado de criptomoedas enfrenta um período de forte retração com a fuga generalizada de capital. A expressiva saída de stablecoins das principais plataformas de negociação indica que os investidores preferem retirar fundos a migrar para ativos de risco.
Desde o pico registrado em janeiro deste ano, a capitalização total do mercado cripto, desconsiderando as moedas pareadas ao dólar, sofreu uma redução de US$ 1,11 trilhão. Esse escoamento afeta praticamente todos os setores do ecossistema digital.
Dados da plataforma CryptoQuant apontam que as reservas de stablecoins nas exchanges entraram em terreno negativo neste ano. O movimento rompe o padrão verificado em períodos anteriores, quando o saldo nos agregadores costumava ser positivo.
Como a saída de stablecoins afeta o preço das criptomoedas
Nos últimos 30 dias, Binance e Bybit juntas registraram saques de US$ 2,3 bilhões em stablecoins. Desse montante, US$ 1,55 bilhão saiu da Binance e US$ 786 milhões deixaram a Bybit, evidenciando a ausência de uma fase de acumulação por parte dos usuários.
O reflexo dessa dinâmica é visível nos dados da DeFiLlama. Após atingir o topo de US$ 322,419 bilhões em abril, o valor total do mercado das stablecoins recuou cerca de US$ 12,355 bilhões, consolidando a saída de stablecoins do circuito financeiro cripto.
Apenas nos últimos sete dias, a perda de capitalização foi de US$ 1,167 bilhão. Sem a entrada de novos recursos, o Bitcoin encontra dificuldades para superar a resistência de US$ 64,500, patamar que não é rompido há 49 dias.
O cenário macroeconômico também ajuda a explicar a postura defensiva. Embora a oferta de moeda M2 nos Estados Unidos tenha atingido o recorde de US$ 22,8 trilhões e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) tenha vindo abaixo do esperado, os conflitos na Ásia Ocidental mantêm o sentimento de aversão ao risco elevado.




