Robinhood Chain atinge US$ 3 bilhões em volume e acende debate sobre taxas do Ethereum

Robinhood Chain atinge US$ 3 bilhões em volume e acende debate sobre taxas do Ethereum

Com mais de 52 milhões de transações e US$ 3 bilhões em volume negociado em poucas semanas de operação, a Robinhood Chain se consolidou como uma das redes de Segunda Camada (L2) mais movimentadas do mercado cripto.

Dados da DeFiLlama apontam que o ecossistema já ultrapassou US$ 256,7 milhões em valor total bloqueado (TVL), além de registrar US$ 396 milhões em stablecoins e US$ 47 milhões em ativos do mundo real (RWAs) tokenizados.

Em um único período de 24 horas, a rede superou a Base em volume de negociações em corretoras descentralizadas, alcançando a marca de US$ 466 milhões.

No entanto, o rápido crescimento financeiro da plataforma reacendeu uma discussão profunda sobre a divisão de lucros na Web3. Números da Growthepie mostram que a Robinhood Chain reteve cerca de 98,4% da sua receita acumulada de US$ 1,76 milhão, gastando apenas 1,6% com custos de liquidação na camada principal.

O impacto da Robinhood Chain no modelo de negócios do Ethereum

Essa estrutura opera em três níveis: a Robinhood controla o aplicativo e retém a receita de uso, a Arbitrum fornece a tecnologia de execução e o Ethereum garante a segurança final. Lorenzo Valente, diretor de pesquisa da ARK Invest, estimou que a Robinhood gerou em torno de US$ 816 mil desde o lançamento, enquanto a Arbitrum ficou com cerca de 10% e o Ethereum arrecadou apenas US$ 1.500 em taxas de liquidação.

Segundo Valente, a escolha arquitetônica foi estratégica para a empresa: “Robinhood foi nunca construir na Solana, Sui ou qualquer L1 monolítica. Eles querem a personalização da pilha. Querem ser proprietários, não inquilinos.” O movimento segue a mesma estratégia adotada por gigantes como Coinbase (Base), Kraken (Ink) e Sony (Soneium).

Essa assimetria na arrecadação dividiu os especialistas do setor. De um lado, defensores do modelo atual como Joseph Lubin, CEO da Consensys, argumentam que o papel do Ethereum é servir como camada primária de liquidação global, e não maximizar a cobrança de taxas diretas.

Em resposta ao debate, Lubin afirmou: “In my opinion, Ethereum L1 revenue fees should stay low to foster growth”.

Por outro lado, pesquisadores focados em monetização alertam que, se as Redes de Segunda Camada continuarem retendo quase a totalidade das tarifas, a rede principal coletará apenas uma fração irrisória por meio de blobs e liquidações. Esse cenário levou à criação de novas iniciativas no ecossistema, como a ETH Ventures, que buscam reformular a captura de valor do protocolo.