Bloqueios bancários ameaçam plano do Reino Unido para liderar mercado de criptomoedas

Bloqueios bancários ameaçam plano do Reino Unido para liderar mercado de criptomoedas

Um grupo parlamentar do Reino Unido abriu uma investigação oficial sobre as crescentes dificuldades enfrentadas pelas empresas de ativos digitais para operar no país. O foco da apuração é entender os motivos pelos quais os grandes bancos continuam bloqueando contas e transações, comprometendo diretamente o acesso bancário para criptomoedas.

A iniciativa é conduzida pelo Grupo Parlamentar de Todos os Partidos sobre Cripto e Ativos Digitais (APPG), copresidido pelo ex-ministro Lord Vaizey e pelo deputado Gurinder Singh Josan.

A apuração começa poucas semanas após o país concluir seu novo arcabouço regulatório e pretende avaliar se as barreiras bancárias podem inviabilizar o plano governamental de transformar o Reino Unido em um polo global de ativos digitais.

Há anos, corretoras e empresas do ecossistema relatam entraves constantes para abrir e manter contas institucionais. Bancos de grande porte, como HSBC, Santander, NatWest, Nationwide e Starling Bank, vêm adotando limites operacionais rígidos e bloqueando pagamentos direcionados a plataformas de criptoativos.

Impactos globais e o futuro do acesso bancário para criptomoedas

Pesquisas do Conselho de Negócios de Criptoativos do Reino Unido revelam que as instituições financeiras chegam a barrar ou atrasar cerca de 40% das transferências destinadas a corretoras. Além disso, 70% das empresas consultadas afirmaram que essas restrições prejudicam diretamente a atração de investimentos, o plano de contratações e a expansão de negócios na região.

O Tesouro britânico já admitiu o problema e reforçou que empresas devidamente registradas não devem ser marginalizadas. Em pronunciamento ao Parlamento, a secretária econômica Lucy Rigby destacou que, sob a nova legislação, o governo não espera que firmas licenciadas pela Autoridade de Conduta Financeira (FCA) sofram represálias operacionais apenas por atuarem no setor de criptoativos.

Para embasamento, o grupo de parlamentares examinará casos em outras jurisdições, como Estados Unidos, União Europeia, Hong Kong e Austrália. No cenário norte-americano, a pressão bancária levou a disputas judiciais de grande porte — como a ação em que a corretora Kraken obteve ressarcimento milionário após perder serviços de auditoria durante episódios de desbancarização.

O comitê britânico receberá contribuições e evidências por escrito durante seis semanas, com prazo final fixado para 31 de agosto. As recomendações serão consolidadas em um relatório entregue ao governo antes de outubro de 2027, período em que as novas regras para o setor passarão a vigorar de forma obrigatória no Reino Unido.