Mesmo após obter a Regulação MiCA para atuar na União Europeia, diversas empresas do setor podem abandonar o mercado do bloco em breve. O alerta foi feito por Giovanni Cunti, CEO da Gate Europe, ao podcast Chain Reaction do Cointelegraph nesta segunda-feira.
De acordo com o executivo, o custo contínuo de conformidade com as regras europeias exige recursos expressivos que muitas plataformas não conseguirão sustentar a longo prazo. As exigências regulatórias mais rigorosas têm dificultado a competição de novos entrantes e pressionado até mesmo quem já obteve autorização oficial.
“Acho que haverá mais empresas que obtêm a Regulação MiCA e que não serão capazes de sustentar os custos e os recursos necessários para manter este negócio no longo prazo”, afirmou Cunti durante a entrevista.
O período de transição de 18 meses do arcabouço regulatório da União Europeia encerrou-se no dia 1º de julho. A partir dessa data, qualquer empresa que atenda clientes no bloco precisa operar autorizada ou suspender a oferta de serviços regulados.
Fuga de projetos e impacto da Regulação MiCA criptomoedas no mercado
Essa exigência forçou corretoras a restringir ou encerrar operações em territórios europeus. A Binance, maior exchange do mundo em volume de negociação, foi uma das plataformas que não conseguiram a licença antes do término do prazo.
Cunti ressaltou que as regras fortalecem a proteção aos investidores, mas reduzem o espaço para inovação em comparação com jurisdições de regulação mais flexível. Isso pode impulsionar startups e novos projetos a buscarem outras regiões para realizar seus lançamentos.
“Talvez tenhamos que nos preparar para o fato de que alguns projetos, possivelmente alguns projetos importantes, estejam de olho em outras jurisdições com diretrizes diferentes”, alertou o executivo.
Apesar das dificuldades, a lista de prestadores autorizados continua avançando, embora em ritmo moderado. Na última sexta-feira, a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) incluiu 14 provedores de serviços de criptoativos (CASPs) em seu registro, elevando o total para 294 empresas cadastradas, após uma adição prévia de 37 empresas na primeira atualização pós-prazo.
Para os agentes consolidados que permanecem operando sob a Regulação MiCA, a redução de concorrentes abre um espaço estratégico de crescimento. Cunti destacou a mudança drástica no ecossistema, lembrando que “havia um mercado com milhares de operadores e agora há um mercado com apenas centenas”.
“Portanto, definitivamente há uma grande oportunidade para todos nós. Há uma migração em andamento porque os clientes não querem perder o acesso a este mercado”, concluiu o CEO.





