O aval do mercado cripto para a mão firme do Banco Central nas stablecoins

O aval do mercado cripto para a mão firme do Banco Central nas stablecoins

Um estudo conduzido pela KPMG em parceria com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) revelou que a maioria das empresas do mercado de ativos digitais no Brasil apoia uma fiscalização mais assertiva.

Segundo o levantamento, 89% dos executivos defendem que a regulação de stablecoins seja baseada em um modelo de governança centralizado, sob supervisão direta do Banco Central do Brasil. O setor enxerga essa via como o caminho mais previsível para facilitar a fiscalização.

A pesquisa ocorreu entre janeiro e junho de 2026, marcando o período de vigência do novo arcabouço do Banco Central para o segmento. As normas recentes exigem capital mínimo, segregação patrimonial e autorização prévia para as administradoras.

Neste cenário de adequação, um consenso absoluto dominou as respostas: 100% das instituições consultadas, que incluem bancos e prestadoras de serviços de ativos virtuais, afirmam que os ativos de lastro devem passar por auditorias independentes regulares.

Para 67% dos participantes, a composição das garantias precisa ser rigorosa, focada exclusivamente em dinheiro e títulos públicos. O objetivo é priorizar a alta liquidez e proteger o ecossistema contra a perda de paridade em momentos de instabilidade no mercado.

“Rigor de auditoria e lastro de qualidade não são entraves à inovação, mas sim a base de confiança que sustenta esse mercado”, pontuou Julia Rosin, diretora-presidente da ABcripto. Para ela, as moedas atreladas necessitam de um regime regulatório próprio.

A transparência também é fundamental para o setor. Para 70% dos entrevistados, o indicador central de confiança de uma moeda é a divulgação periódica da composição, liquidez e localização exata de seus ativos de garantia.

A custódia dos ativos e o futuro da regulação de stablecoins

O local de guarda dessas garantias é outro ponto central para a regulação de stablecoins. A maior parcela do setor (38%) entende que o lastro deve permanecer custodiado em instituições financeiras reguladas convencionais.

Em contrapartida, 26% dos executivos defendem que o depósito direto no Banco Central oferece maior segurança, pois mantém os fundos fora do balanço de empresas privadas. O mercado também pede certificação, com 80% apoiando a criação de um selo oficial para emissores.

No campo da adoção, o público corporativo desponta como foco principal. O estudo indica que as empresas (34%) vão liderar o uso dessas moedas, especialmente voltadas para infraestrutura de pagamentos e câmbio internacional, opção citada por 50% dos entrevistados.

Por fim, o setor não enxerga a futura moeda digital do Banco Central como uma ameaça. A coexistência entre a versão oficial e as moedas privadas é vista por 89% do mercado como um estímulo direto à emissão de novos projetos corporativos.

A leitura de complementaridade é reforçada por Diego Perez, vice-presidente da ABcripto. Enquanto a moeda soberana estabelece os padrões técnicos de liquidação e conformidade, o setor privado ganha espaço para desenvolver produtos focados em pagamentos e operações financeiras diárias.