Queda do Bitcoin: a correção atual é mesmo a pior da história? Os números dizem que não

Queda do Bitcoin: a correção atual é mesmo a pior da história? Os números dizem que não

O mercado de criptomoedas enfrenta um momento de forte pessimismo, com o Índice de Medo e Ganância marcando 22 pontos, o que indica medo extremo. No entanto, os dados históricos mostram que a atual queda do Bitcoin não é tão devastadora quanto parece à primeira vista.

Cotada em cerca de US$ 63.781 em 11 de julho de 2026, a principal criptomoeda do mercado opera com um recuo de aproximadamente 42% em relação à sua máxima histórica de US$ 109.000, atingida em janeiro de 2025. Embora a perda de quase US$ 47.000 assuste, os ciclos anteriores foram muito mais severos.

Para fins de comparação, o ativo despencou 93% em 2011, passando de US$ 32 para US$ 2. Já em 2013, o recuo foi de 86%, levando o preço de US$ 1.163 para US$ 152, exigindo mais de um ano de lateralização até o início de uma nova pernada de alta.

O ciclo de 2018, ainda apontado como o pior mercado de baixa histórico, registrou um colapso de 84%, empurrando a cotação de US$ 19.783 para US$ 3.122 ao longo de 14 meses. Mais recentemente, em 2022, o recuo chegou a 77,5%, motivado pelas quebras da Terra Luna e da FTX, além do aperto monetário nos Estados Unidos.

O que está por trás da recente queda do Bitcoin?

O sentimento de frustração atual decorre das altas expectativas. O topo histórico aconteceu pouco antes da segunda posse de Donald Trump, gerando a promessa de uma forte onda institucional que não se concretizou de imediato, intensificando a percepção negativa sobre a queda do Bitcoin.

Na prática, os ETFs de Bitcoin à vista, que captaram US$ 35 bilhões entre 2024 e o início de 2025, agora registram semanas consecutivas de saídas líquidas. Além disso, o Premium Index da Coinbase está negativo há 46 dias, sinalizando a ausência de compradores institucionais norte-americanos.

Apesar do cenário desafiador, a métrica do Preço do Investidor aponta que o suporte fundamental está em US$ 48.300. Esse patamar, que desconsidera moedas perdidas para encontrar o custo real de mercado, serviu como o fundo definitivo de todos os grandes ciclos nos últimos 15 anos.

Especialistas mantêm a calma diante da volatilidade. Anthony Scaramucci pontuou que “Every bottom looked like this.” (“Todo fundo parecia com este”), enquanto Cathie Wood preserva sua projeção de US$ 730.000 para o ativo até 2030, sugerindo que a atual queda do Bitcoin pode ser apenas mais uma correção natural de percurso.