Enquanto grandes instituições financeiras ocupam cada vez mais espaço na rede, o preço do Ethereum negocia próximo de US$ 1.800, acumulando uma queda de aproximadamente 42% no ano e recuando quase dois terços em relação ao seu pico de agosto.
O cenário atual do preço do Ethereum envolve três grupos que observam o ativo sob perspectivas distintas. De um lado, o investidor de varejo reduziu significativamente sua participação. O volume de menções em redes sociais caiu para cerca de 40 mil — patamar registrado pela última vez em 2020, enquanto a atividade em colecionáveis digitais recuou para a faixa de centenas de milhares de dólares diários.
No ambiente on-chain, o número de endereços ativos diários, que superava 1,5 milhão em janeiro, caiu para cerca de 544 mil. Apesar da redução no fluxo de usuários comuns, o valor total alocado em protocolos de empréstimo e staking permaneceu estável, indicando a permanência de capital profissional na rede.
Os desafios que impactam o preço do Ethereum
Em sentido contrário, o setor institucional mantém planos de expansão na infraestrutura. A criação da organização sem fins lucrativos Ethereum Institutional busca capacitar bancos e gestoras, enquanto a Fundação Ethereum promoveu a criação da ETH Systems para desenvolver ferramentas corporativas de privacidade.
Iniciativas de peso, como o fundo tokenizado da BlackRock, a estrutura de liquidação do JPMorgan e a rede de segunda camada do Robinhood, operam diretamente no ecossistema. Além disso, os ETFs spot de ETH nos Estados Unidos voltaram a registrar saldo positivo de captação em julho, após um segundo trimestre de resgates.
Apesar do avanço corporativo, a arrecadação diária de taxas na rede principal recuou de cerca de US$ 40 milhões no início de 2025 para a faixa de US$ 10 milhões. A redução ocorre porque a maior parte do volume de transações migrou para soluções de segunda camada, que pagam taxas reduzidas ao protocolo base.
Esse cenário fomentou debates entre analistas do setor. Em 21 de maio, David Hoffman, cofundador do Bankless, revelou a venda de suas posições em ETH, argumentando que a tese do ativo como moeda perdeu força diante da concorrência de redes voltadas à distribuição.
Por outro lado, o ex-desenvolvedor Eric Connor apontou que o desempenho do ativo reflete a oferta constante gerada por grandes detentores antigos, e não uma falha estrutural do protocolo. Diante disso, a Fundação Ethereum reorganizou suas equipes para focar em conformidade e suporte institucional.
A evolução futura sobre o preço do Ethereum dependerá da capacidade de a atividade institucional gerar receita efetiva para a rede principal. A trajetória das taxas coletadas, o fluxo dos fundos negociados em bolsa e a adoção das soluções de segunda camada permanecem como os principais indicadores a serem acompanhados.



