O que esperar do mercado de criptomoedas no terceiro trimestre do ano

O que esperar do mercado de criptomoedas no terceiro trimestre do ano

O mercado de criptomoedas enfrenta um período de reorganização após registrar seu pior trimestre desde 2022. Com uma queda de US$ 304,8 bilhões (12,6%), o valor total do setor recuou para US$ 2,1 trilhões, marcando uma retração superior a 52% em relação ao topo histórico de US$ 4,27 trilhões alcançado em outubro de 2025.

A retração do mercado de criptomoedas atingiu também a liquidez. O volume médio diário de negociações caiu 20,9%, somando US$ 93,1 bilhões. No mercado à vista das principais corretoras centralizadas, a movimentação recuou 27,9%, para US$ 1,95 trilhão, enquanto os contratos futuros perpétuos caíram 10%, totalizando US$ 12,7 trilhões.

Até mesmo o setor de stablecoins, historicamente resiliente, apresentou sua primeira contração em mais de três anos. A capitalização desse segmento reduziu 1,6%, alcançando US$ 305,1 bilhões, sinalizando uma saída efetiva de capital do ecossistema.

Entre os principais ativos do mercado de criptomoedas, o Bitcoin encerrou junho cotado próximo de US$ 58.500, acumulando baixa trimestral de 14,2%. Já o Ethereum teve uma desvalorização de 25,4%, caindo para a faixa de US$ 1.625. A correlação entre o Bitcoin e os índices acionários tradicionais como o Nasdaq se dissipou, e o criptoativo descolou negativamente da alta recente do S&P 500.

O recuo dos produtos negociados em bolsa pesou fortemente sobre os preços. Embora os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA tenham captado US$ 2,02 bilhões em abril, o segundo trimestre encerrou com saldo líquido negativo de US$ 4,67 bilhões. Apenas no mês de junho, os resgates somaram US$ 4,5 bilhões, marcando o maior volume mensal de saídas da história da modalidade.

Decisões do Fed e regulação moldam o mercado de criptomoedas

Refletindo este cenário, em 1º de julho o Citigroup reduziu sua projeção de preço para o Bitcoin de US$ 112.000 para US$ 82.000 nos próximos 12 meses. Contudo, dados da Santiment e da Glassnode indicam que, após o pico de resgates ultrapassar US$ 8,5 bilhões desde maio, investidores de longo prazo voltaram a acumular o ativo no início de julho.

As atenções do mercado de criptomoedas estão voltadas para a reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (FOMC) entre 28 e 29 de julho. O comitê manteve a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75% em junho — nível inalterado desde dezembro de 2025, sob a liderança do presidente Kevin Warsh, mas sinalizou a possibilidade de novos aumentos até o fim do ano.

No campo regulatório, o projeto de lei CLARITY Act, projetado para delimitar as competências entre a CFTC e a SEC, encontra-se estagnado no Senado americano. Após aprovação na Comissão de Bancos em maio de 2026 e na Câmara em julho de 2025, as chances de aprovação ainda em 2026 caíram para a faixa de 40%, devido a pendências sobre custódia, yields de stablecoins e divulgações de ativos.

Apesar da retração ampla, o ecossistema registrou avanços em setores específicos. O volume dos mercados de previsão cresceu 48,7% no ano, atingindo US$ 113,8 bilhões, impulsionado pela plataforma Kalshi. Colecionáveis tokenizados movimentaram US$ 1,4 bilhão no trimestre, alta de 143%, enquanto ativos do mundo real (RWA) tokenizados alcançaram US$ 28,1 bilhões em valor na rede.

Para o mercado de criptomoedas, embora o cenário exija cautela, o fato de o Bitcoin sustentar patamares próximos à sua média móvel de 200 semanas indica que a estrutura técnica de longo prazo permanece intacta. O desempenho nos próximos meses dependerá das decisões sobre juros e do avanço regulatório nos Estados Unidos.