Do halving ao boom da IA : o que há por trás das vendas milionárias de ações de mineradoras de Bitcoin?

Do halving ao boom da IA : o que há por trás das vendas milionárias de ações de mineradoras de Bitcoin?

As mineradoras de Bitcoin que migraram para o setor de inteligência artificial (IA) agora enfrentam um escrutínio mais severo dos investidores. O motivo é a recente onda de realização de lucros e venda de papéis por parte de diretores e fundadores dessas companhias.

De acordo com um relatório da Blocksbridge Consulting, a narrativa tecnológica valorizou expressivamente os ativos dessas mineradoras de Bitcoin, que aproveitaram suas grandes estruturas de energia para fechar parcerias com provedores de nuvem. Contudo, o entusiasmo diminuiu com a recente correção global nos papéis de tecnologia.

O recuo de 16% no Índice TEM de Crescimento em Infraestrutura de IA no último mês colocou as movimentações internas das empresas sob os refletores. Executivos da TeraWulf, Cipher Digital, Riot Platforms e Core Scientific reportaram vendas de ações, muitas delas executadas sob planos programados conhecidos como Regra 10b5-1.

O dilema dos retornos de longo prazo nas mineradoras de Bitcoin

Além das lideranças internas, investidores estratégicos também reduziram sua exposição financeira. A Tether, emissora da stablecoin USDT, diminuiu sua participação na Bitdeer logo após a forte valorização dos ativos. Com a mudança de humor, o foco do mercado migrou da promessa de crescimento para a transparência da governança corporativa.

O exemplo mais evidente dessa dinâmica ocorreu na TeraWulf. O CEO Paul Prager e uma empresa de participações sob sua gestão venderam cerca de 1,59 milhão de ações pouco antes de a companhia anunciar um contrato de infraestrutura de 20 anos com a Anthropic, criadora do modelo Claude.

Essa transição de modelo de negócios das mineradoras de Bitcoin ganhou força logo após o halving de 2024, evento programado que cortou as recompensas de mineração pela metade e achatou as margens de lucro operacionais. A infraestrutura robusta de energia tornou a IA uma alternativa atraente para rentabilizar os centros de dados.

No entanto, o alto custo de capital e o prazo para colher frutos preocupam o mercado institucional. Um relatório publicado pela Deloitte descreveu o cenário atual da inteligência artificial como um “paradoxo de investimento crescente e retornos elusivos”.

Complementando os riscos, uma pesquisa global realizada pela Teneo com mais de 350 CEOs revelou que menos da metade das iniciativas corporativas em IA geraram lucros superiores aos seus custos de implementação até o momento.