A mineração de Bitcoin encontrou um destino improvável e altamente lucrativo no Leste Africano. A Etiópia vem se consolidando como um dos polos mais importantes para a atividade no cenário global, atraindo mineradores do mundo todo.
O país adotou uma postura regulatória singular ao legalizar a atividade em 2022, embora mantenha uma proibição rígida sobre a negociação interna de criptoativos. O movimento estratégico visa diretamente a captação de receitas em moeda estrangeira para a economia local.
O grande motor dessa transformação é a energia barata proveniente da Grande Represa Renascentista Etíope (GERD), um dos maiores complexos hidrelétricos da África. Com energia excedente, o governo destinou até 600 MW de capacidade elétrica especificamente para o setor, abrigando cerca de 27 empresas operacionais.
O paradoxo social da mineração de Bitcoin no país
Esse cenário atraiu principalmente empresas chinesas, que haviam sido desalojadas após a proibição da mineração de Bitcoin na China em 2021. Grandes nomes globais fecharam acordos robustos no país africano, como a BIT Mining, que adquiriu capacidade de 51 MW e cerca de 18 mil rigs de mineração no final de 2024, e a Bitdeer, operadora de uma infraestrutura de 40 MW. Uma mineradora de origem russa também iniciou operações nos arredores da capital, Adis Abeba, em agosto de 2025.
Apesar do sucesso comercial, a expansão acelerada gera discussões. O paradoxo está no fato de que aproximadamente metade da população etíope ainda não tem acesso à energia elétrica básica em suas casas, o que levanta críticas de defensores sociais sobre o direcionamento de centenas de megawatts para a atividade digital.
Para investidores de empresas de capital aberto do setor, a exposição das companhias a operações na Etiópia traz vantagens competitivas em termos de custos, mas exige atenção a riscos políticos e regulatórios locais de longo prazo.




