A MicroStrategy, famosa por sua estratégia agressiva de acumulação e o mantra de “nunca vender”, deu um sinal amarelo ao mercado. O CEO da empresa, Phong Le, confirmou que a companhia pode, sim, vender Bitcoin sob condições muito específicas no futuro.
A declaração surge logo após Michael Saylor, presidente executivo, sugerir que a empresa poderia usar suas reservas para cobrir dividendos. O comentário não caiu bem inicialmente, provocando uma queda de 4% nas ações da MSTR e deixando investidores em alerta.
O ponto de virada na estratégia é o chamado “Stretch” (STRC), um novo tipo de ação preferencial da empresa com dividendos de 11,5%. Segundo Le, esse instrumento abriu uma “opcionalidade estratégica” para a gigante de tecnologia.
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Matemática acima da ideologia
A ideia é que a empresa avalie se vale mais a pena emitir novas ações ou vender Bitcoin para honrar esses pagamentos. Isso só aconteceria se a venda gerasse valor real para o acionista (o termo técnico “acretivo”), baseado em métricas de valor contábil.
A mudança marca um distanciamento do tom ideológico de Saylor. “No fim das contas, acredito na matemática acima da ideologia”, afirmou Phong Le, reforçando que a decisão será pragmática e baseada em cálculos financeiros precisos.
Além dos dividendos, a MicroStrategy também considera vender Bitcoin para gestão fiscal, como capturar prejuízos ou ganhos diferidos para otimizar impostos. Apesar disso, o CEO defendeu que a alavancagem da empresa, hoje entre 10% e 15%, é extremamente segura.
Atualmente, a companhia detém impressionantes 818.334 BTC, comprados a um preço médio de US$ 75.537. Mesmo com esse volume colossal, Le garantiu que eventuais vendas não devem derrubar o preço da criptomoeda no mercado global.
Ele argumenta que o volume diário do Bitcoin supera os US$ 60 bilhões, enquanto a necessidade anual de dividendos da empresa é de cerca de US$ 1,5 bilhão. Assim, qualquer movimento para vender Bitcoin representaria apenas uma fração minúscula da liquidez diária do ativo.
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