O Senado dos Estados Unidos encerrou a semana sem votar a Lei CLARITY Act, adiando um marco legal aguardado pelo setor financeiro. Enquanto os legisladores hesitam, as maiores instituições do país continuam transferindo suas operações para a tecnologia blockchain de forma acelerada.
A aprovação da CLARITY Act deixou de ser apenas uma demanda do setor de criptomoedas e passou a envolver a infraestrutura do mercado tradicional. O JPMorgan já iniciou testes para tokenizar fundos de índice (ETFs) através da DTCC, movimentação acompanhada por gigantes como Goldman Sachs e BlackRock.
O CEO da BlackRock definiu a tokenização como uma forma de “atualizar o encanamento do sistema financeiro”. No entanto, sem regras federais estabelecidas, especialistas apontam para um risco de contágio que pode afetar gestoras que sequer operam diretamente com ativos digitais.
As stablecoins, por exemplo, mantêm atualmente mais de US$ 100 bilhões em títulos do Tesouro americano em suas reservas. Instituições como o FMI e o Federal Reserve alertam que uma quebra repentina nesses ativos atingiria em cheio os mercados de financiamento tradicionais, espalhando perdas em alta velocidade.
Como a CLARITY Act previne um novo colapso institucional no mercado
A quebra da corretora FTX mostra de forma prática a diferença que a legislação traz para a proteção do capital. Enquanto a matriz operava sem supervisão em paraísos fiscais e desviava o dinheiro de clientes, a subsidiária LedgerX saiu intacta da crise porque obedecia a leis rigorosas de segregação de patrimônio.
Empresas de peso, como Fidelity e Franklin Templeton, pressionam o Congresso pela aprovação da Lei CLARITY Act. A proposta visa estabelecer garantias federais de transparência de capital e gestão de conflitos de interesse, substituindo a atual colcha de retalhos de regulamentações estaduais que não protegem o mercado em escala nacional.
Randi Abernethy, executiva da Bullish que testemunhou sobre a legislação no Congresso em julho de 2026, destaca que a clareza jurídica atrai capital para o país. Assim que os Estados Unidos começaram a sinalizar diretrizes mais sólidas, empresas como Nexo, Wintermute e Taurus imediatamente registraram operações em solo americano.
Sem a aprovação definitiva da CLARITY Act, o mercado continua operando amparado em acordos temporários e memorandos revogáveis. Para evitar que os ativos digitais gerem um efeito dominó não previsto na próxima crise econômica, Wall Street exige que essas proteções virem lei.


