Justiça dos EUA bloqueia fundos após roubo de criptomoedas de US$ 1,5 bilhão da Bybit

Justiça dos EUA bloqueia fundos após roubo de criptomoedas de US$ 1,5 bilhão da Bybit

A corretora Bybit iniciou um processo judicial inédito contra a Coreia do Norte e o grupo hacker Lazarus para reaver fundos do maior roubo de criptomoedas já registrado. O caso, que tramita na Justiça dos Estados Unidos, envolve o desvio de quase US$ 1,46 bilhão ocorrido em fevereiro de 2025.

Um tribunal federal americano concedeu uma liminar para bloquear a movimentação ou venda dos ativos identificados. No entanto, a decisão judicial chega 532 dias após o ataque, evidenciando a diferença entre o ritmo do sistema legal e a velocidade dos criminosos no ecossistema blockchain.

Dados da Chainalysis mostram que grupos ligados ao governo norte-coreano costumam lavar os fundos ilícitos em um intervalo de cerca de 45 dias. Isso significa que a maior parte do valor já circulou por protocolos DeFi, pontes de rede e serviços de ofuscamento muito antes da existência desta ordem de bloqueio.

Logo após o roubo de criptomoedas, uma ação coordenada entre parceiros da indústria conseguiu congelar cerca de US$ 85,9 milhões de forma imediata. Esse montante representa apenas 5,9% do total desviado, confirmando que a recuperação rápida depende da cooperação de emissores de tokens e corretoras centralizadas.

Desafios legais e técnicos após um roubo de criptomoedas

A complexidade para recuperar o dinheiro depende da infraestrutura onde os ativos estão alocados no momento do bloqueio. Congelar redes como Bitcoin ou Ethereum mantidos em carteiras de autocustódia é tecnicamente inviável por não existir um controlador central com poder de interrupção.

Por outro lado, ativos como stablecoins e tokens de staking líquido oferecem maiores ferramentas de intervenção pelas equipes responsáveis. Os cibercriminosos conhecem essa dinâmica e, logo após o ataque à Bybit, converteram os tokens de staking em Ethereum nativo para dificultar qualquer ação das autoridades.

Além do desafio técnico de rastreio, a judicialização cria um risco secundário envolvendo credores internacionais. Outras entidades financeiras que já possuem decisões judiciais anteriores contra a Coreia do Norte também tentam reivindicar os ativos assim que eles se tornam alvos de bloqueios.

O mercado observa o desfecho da ação da Bybit para entender a eficácia prática das liminares sobre transações em blockchain. Embora comprove que ferramentas legais podem atingir criminosos digitais, a demora de 17 meses mostra que a intervenção tardia atua apenas sobre pequenos resíduos que não escaparam do processo inicial de lavagem.