O ano de 2026 prometia ser um marco de IPOs de criptomoedas com a estreia de grandes empresas do setor de ativos digitais na bolsa de valores americana. No entanto, o forte avanço da tecnologia de inteligência artificial acabou capturando a atenção e os recursos dos investidores institucionais, provocando adiamentos em massa nos IPOs de criptomoedas.
Gigantes do ecossistema como Kraken, Ledger, Consensys e Grayscale decidiram puxar o freio de mão em seus planos de listagem pública. A justificativa geral do mercado gira em torno do volume de negociação mais baixo e de um momento de menor liquidez para as plataformas de ativos digitais ao longo deste ano.
A Kraken, controlada pela Payward, suspendeu seus preparativos em março de 2026, mesmo após ter enviado um formulário confidencial S-1 no fim do ano anterior. Em abril, uma venda secundária de ações para a Deutsche Börse avaliou a empresa em US$ 13,3 bilhões — um recuo notável frente aos US$ 20 bilhões de rodadas passadas, além de a exchange ter cortado cerca de 150 postos de trabalho enquanto ampliava ferramentas internas de automação.
No caso da Ledger, os planos de abertura de capital nos Estados Unidos foram congelados em meados de maio sem que a companhia chegasse a oficializar o pedido. A fabricante de carteiras físicas optou por uma captação privada de US$ 50 milhões, deixando de lado a meta inicial de avaliação superior a US$ 4 bilhões que buscava com o suporte de grandes bancos de investimento.
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A única empresa que conseguiu avançar com a listagem este ano foi a BitGo, levantando US$ 213 milhões em janeiro sob uma avaliação de US$ 2,08 bilhões. Contudo, os papéis recuaram quase 22% logo no segundo dia de negócios na bolsa, evidenciando o cenário desafiador para novos IPOs de criptomoedas. Na contramão dos adiamentos, a Blockchain.com realizou um protocolo confidencial no fim de maio e agora testa a receptividade desse mercado arrefecido.
A escassez de capital para novas listagens cripto coincide com uma rotação histórica de portfólio em Wall Street. As cinco maiores gigantes de tecnologia dos EUA (Amazon, Microsoft, Google, Meta e Oracle) estão a caminho de investir mais de US$ 600 bilhões em infraestrutura em 2026, com cerca de US$ 450 bilhões direcionados especificamente para centros de dados e processamento de inteligência artificial.
Paralelamente, o mercado acionário tradicional se prepara para ofertas públicas de proporções históricas fora do setor de moedas digitais. A SpaceX protocolou documentos visando uma avaliação de até US$ 2 bilhões em meados de junho, enquanto a Anthropic formalizou seu pedido de listagem avaliada em US$ 965 bilhões, superando momentaneamente a OpenAI, que também planeja sua estreia para o segundo semestre.
Enquanto os holofotes se voltam para a infraestrutura tecnológica convencional, o Bitcoin opera na faixa dos US$ 69.552, apresentando uma retração de aproximadamente 45% em comparação ao seu topo histórico de US$ 126.080 registrado em outubro de 2025. Esse movimento impactou diretamente os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, que registraram saídas líquidas de US$ 2,3 bilhões em maio.
Mais do que adiar a entrada de capital em caixa, a desaceleração nos IPOs de criptomoedas adia benefícios estratégicos importantes para o amadurecimento dessas empresas. A presença na bolsa de valores confere chancela regulatória por meio de auditorias rigorosas, atrai uma base societária institucional mais sólida e gera relatórios de análise financeira que ajudam a manter o setor sob o radar de grandes fundos globais.
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