A indústria de criptomoedas já registra uma marca preocupante neste ano. Segundo relatórios da CertiK, TRM Labs e Forbes, os hacks em DeFi (Finanças Descentralizadas) resultaram na perda de US$ 1,3 bilhão apenas no primeiro semestre de 2026.
O que chama a atenção não é apenas a quantia levada, mas a forma como os crimes ocorrem. O foco dos ataques mudou: os maiores roubos de 2026 não exploram falhas complexas no código, mas sim falhas humanas. O roubo de chaves de acesso, sequestro de sessões e a engenharia social se tornaram as principais armas dos cibercriminosos.
Dois casos emblemáticos ocorreram em abril, somando US$ 575 milhões em perdas em um intervalo de apenas 18 dias. O Drift Protocol, na rede Solana, perdeu US$ 285 milhões após invasores se passarem por uma empresa de investimentos durante meses para ganhar confiança e roubar permissões do conselho de segurança do projeto.
Pouco depois, o KelpDAO perdeu US$ 290 milhões. Neste caso, os criminosos aplicaram engenharia social contra um desenvolvedor para roubar suas chaves de sessão e aprovar a emissão falsa de tokens por meio de uma ponte de rede. Curiosamente, o código de ambos os projetos havia passado por auditorias de segurança rigorosas.
A ameaça norte-coreana nos hacks em DeFi
Investigadores de segurança rastrearam os ataques aos protocolos Drift e KelpDAO até o grupo TraderTraitor, uma divisão do infame Lazarus Group da Coreia do Norte. Apenas com esses dois episódios, o grupo é responsável por pelo menos 44% de todos os valores roubados em 2026.
O padrão de falha costuma se repetir nas chamadas pontes (bridges) que conectam diferentes blockchains. Muitos projetos perdem milhões porque confiam a validação de grandes volumes de transações a um número muito pequeno de assinaturas ou validadores externos.
“Um protocolo pode passar por uma auditoria de código impecável e ainda perder milhões por causa de uma chave de administrador comprometida”, afirmou Ronghui Gu, executivo da CertiK, resumindo o cenário atual do mercado.
As soluções técnicas já existem, como a exigência de múltiplos validadores independentes (configuração multi-verifier) e atrasos programados para transações críticas. No entanto, grande parte do mercado ainda adota configurações mais simples e arriscadas, deixando o caminho livre para que novos hacks em DeFi continuem acontecendo da mesma forma.


