Hacks de criptomoedas batem recorde, mas perdas caem 49% em agosto

Hacks de criptomoedas batem recorde, mas perdas caem 49% em agosto

Agosto terminou com um recorde incômodo para o mercado cripto: foram registrados 50 hacks de criptomoedas no mês, o maior número de ataques em um único mês em 2026. Apesar da frequência maior, o prejuízo total caiu quase pela metade.

Segundo levantamento da empresa de segurança blockchain PeckShield, os ataques provocaram perdas de US$ 136,3 milhões em agosto, uma queda de 49,5% em relação aos US$ 270 milhões registrados em julho.

Os números mostram uma mudança importante no perfil dos incidentes. Os hackers atacaram com mais frequência, mas, em média, conseguiram levar quantias menores em cada ocorrência.

Agosto superou os 40 ataques registrados em abril, maio e junho. No início do ano, PeckShield contabilizou 16 incidentes em janeiro, 15 em fevereiro e 20 em março.

Hacks de criptomoedas: Tectonic concentrou a maior perda

Um único ataque respondeu por mais da metade das perdas de agosto. O protocolo de empréstimos Tectonic, considerado o maior do ecossistema Cronos (CRO), perdeu aproximadamente US$ 74 milhões.

O valor colocou o incidente como o quarto maior roubo de criptomoedas registrado em 2026 até agora. No entanto, o atacante conseguiu transferir apenas cerca de US$ 6 milhões para a rede Ethereum (ETH) antes que os validadores interrompessem a blockchain.

A Cronos posteriormente restaurou o estado da rede para um ponto anterior ao ataque e retomou a produção de blocos.

De acordo com a PeckShield, o invasor começou a movimentar os fundos roubados por outras redes. “The exploiter has since started laundering the stolen funds, bridging them to #BTC (~200K so far),”, afirmou a empresa.

O episódio envolvendo a Tectonic também ajuda a explicar por que o volume total de perdas ficou bem abaixo do registrado em meses com grandes explorações, mesmo com agosto apresentando o maior número de ataques do ano.

Hacks de criptomoedas ficaram mais numerosos e menores

A diferença aparece também na perda média. Em agosto, cada hack provocou, em média, cerca de US$ 2,7 milhões em prejuízos, contra aproximadamente US$ 9 milhões em julho.

Os dez maiores incidentes do mês concentraram US$ 123,34 milhões das perdas totais. Isso significa que os outros 40 ataques responderam juntos por aproximadamente US$ 12,9 milhões.

Depois da Tectonic, os maiores prejuízos de agosto envolveram Moonwell, com US$ 8,7 milhões, Term Labs, com US$ 8,5 milhões, Coinsbuy, com US$ 7,9 milhões, e TAC, com US$ 7,5 milhões.

Injective, MANTRA, BounceBit, Cosmos Labs e aquifer completaram a lista dos dez maiores incidentes do mês.

Mesmo com o recorde de frequência, agosto ficou longe de ser o mês mais caro de 2026. Esse posto continua com abril, quando as perdas chegaram a US$ 646,89 milhões.

Naquele mês, dois ataques — Drift e KelpDAO, representaram sozinhos US$ 577 milhões dos prejuízos registrados.

O contraste entre os dados de agosto e abril deixa uma diferença clara: mais hacks de criptomoedas não significam necessariamente maiores perdas mensais. Em agosto, os ataques foram mais numerosos, mas os valores extraídos na maioria dos incidentes foram significativamente menores.