Os hackers de criptomoedas roubaram US$ 3,1 bilhões durante o primeiro semestre de 2026, segundo um novo relatório da empresa de segurança Blockaid. Foram mais de 75 grandes ataques registrados no período, o maior volume de perdas já observado em apenas seis meses.
O levantamento mostra que o Ethereum concentrou 53% do valor perdido, com aproximadamente US$ 1,63 bilhão. Já a Solana aparece como a segunda blockchain mais afetada, acumulando cerca de US$ 373 milhões em prejuízos.
Apesar dos números, a Blockaid destaca que isso não significa necessariamente que o Ethereum seja menos seguro que outras redes. Como a blockchain concentra grande parte do valor bloqueado em protocolos DeFi e abriga milhares de aplicações descentralizadas, ela também se torna o alvo mais lucrativo para criminosos.
Ataques hackers mudam de foco
A lógica é semelhante à observada no sistema financeiro tradicional: instituições que concentram mais ativos costumam atrair mais tentativas de ataque, independentemente do nível de proteção adotado.
O aumento do volume de transações na Solana, a expansão do setor de DeFi e a popularização das memecoins ampliaram a atividade da rede, e, consequentemente, as oportunidades para ataques.
O relatório também aponta uma transformação na forma como os hackers de criptomoedas atuam. Se, nos últimos anos, as maiores perdas estavam ligadas a falhas em contratos inteligentes, agora os ataques se concentram cada vez mais em usuários e infraestruturas.
Cerca de US$ 1,83 bilhão foi perdido após comprometimento de carteiras, roubo de chaves privadas, golpes de phishing e invasões de sistemas críticos. Na prática, criminosos têm preferido estratégias como enganar usuários, comprometer administradores ou obter acesso às credenciais de carteiras digitais, em vez de explorar falhas no código dos protocolos.
Essa mudança amplia o desafio para empresas e investidores, já que a segurança deixa de depender apenas da qualidade dos contratos inteligentes e passa a envolver também controles de acesso, monitoramento da infraestrutura e boas práticas operacionais.
Para a Blockaid, essa evolução ocorre em um momento importante para o setor. Com o avanço dos ETFs de criptomoedas, da tokenização de ativos e do interesse crescente de bancos e gestoras, a proteção do capital passa a ser um fator cada vez mais relevante para a adoção institucional.
O relatório conclui que os hackers de criptomoedas estão mirando menos o código das blockchains e mais usuários, chaves privadas e sistemas de suporte. Nesse cenário, investimentos em monitoramento em tempo real, autenticação reforçada e ferramentas de detecção de ameaças tendem a ganhar ainda mais importância para o mercado.



