O mercado de ativos digitais passa por uma mudança estrutural. De acordo com um relatório recente da Grayscale, os investidores estão preferindo tokens com fundamentos reais em detrimento das memecoins, que perdem força no cenário atual.
Essa transformação é impulsionada pela combinação de um mercado em consolidação e da forte chegada de investidores institucionais. Esse cenário separa plataformas que geram receita real daquelas puramente especulativas e sem utilidade prática.
A análise utiliza a estrutura de Setores Cripto da Grayscale, desenvolvida em parceria com a FTSE Russell, que reavalia mais de 150 protocolos trimestralmente com base em suas funções práticas no ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi).
O mercado cripto, que abrange stablecoins e ativos tokenizados, tem visto recordes de volume de liquidação. Desde o início de 2024, este segmento valorizou cerca de 15%, enquanto o setor de cultura e consumo desabou 75%, evidenciando a preferência por tokens com fundamentos.
As memecoins, lideradas pela pioneira Dogecoin (DOGE), representam cerca de 85% do valor de mercado desse setor em queda livre. A diferença de desempenho entre os dois grupos já ultrapassa os 90 pontos percentuais neste ano.
Para a Grayscale, a Hyperliquid brilha em era de tokens com fundamentos
O grande destaque apontado pela Grayscale é a exchange on-chain Hyperliquid e seu token nativo, HYPE. A plataforma destina suas taxas de negociação para um fundo de assistência que recompra a moeda, vinculando diretamente o preço do ativo à utilização real da rede.
Essa dinâmica fez o HYPE saltar de uma mínima de US$3,81 no final de 2024 para o pico histórico de US$76,70 em junho de 2026. Cotado perto de US$ 63 nesta segunda-feira, o token acumula alta de 29% no ano e já figura na 10ª posição global em valor de mercado.
A tese da Grayscale é compartilhada por grandes nomes de Wall Street. Tushar Jain, diretor de investimentos da Multicoin Capital, argumenta que projetos de finanças descentralizadas devem ser avaliados com as mesmas métricas de empresas tradicionais.
“Solana é um negócio. Hyperliquid é um negócio. Elas existem para gerar fluxo de caixa, e isso é o principal fator que dá valor a esses ativos”, explicou Jain, cujo fundo mantém posições em HYPE.
Com outros projetos de grande porte focando em gerar receita para sustentar seus ecossistemas, a consolidação de tokens com fundamentos robustos sinaliza que a especulação pura pode estar dando espaço definitivo para o valor real entregue aos usuários.




