Bomba-relógio ou salvação? O risco que a reserva de stablecoins da Tether traz para os bancos

Bomba-relógio ou salvação? O risco que a reserva de stablecoins da Tether traz para os bancos

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por Redação

O mercado cripto e as finanças tradicionais de Washington estão mais interligados do que nunca. A reserva de stablecoins da Tether, emissora do USDT, fechou o ano de 2025 com uma exposição direta e indireta superior a US$ 141 bilhões em títulos públicos dos EUA.

Essa movimentação transformou a empresa privada, sediada em El Salvador, na 17ª maior detentora global de dívida americana e na maior força não soberana desse mercado. O cenário ganhou forte tração após a sanção do GENIUS Act em julho de 2025 pelo presidente Donald Trump.

A nova legislação estabeleceu o primeiro marco regulatório federal nos EUA, exigindo que os emissores mantenham 100% de lastro em ativos líquidos. Diante disso, a reserva de stablecoins focada em papéis de curto prazo passou a ser vista pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, como um “motor de alívio da dívida”.

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Os impactos e riscos da reserva de stablecoins no sistema financeiro

Com projeções de que o mercado de dólares digitais alcance entre US$ 1,9 trilhão e US$ 3,7 trilhões até 2030, a demanda por títulos públicos tende a crescer de forma contínua. Contudo, essa dinâmica gera forte desconforto no setor bancário tradicional.

Relatórios do próprio Tesouro Americano e de instituições como o Citigroup alertam que o crescimento do setor pode drenar até US$ 1 trilhão em depósitos bancários domésticos até 2030. O Standard Chartered estima uma perda de US$ 500 bilhões já para o fim de 2028.

Por outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) faz um alerta sobre os riscos de liquidez imediata. Caso ocorra uma crise de confiança sistêmica, a liquidação em massa de uma reserva de stablecoins despejaria bilhões em títulos de curto prazo no mercado tradicional em velocidade automatizada.

O avanço do GENIUS Act e do CLARITY Act mostra que Washington escolheu integrar as stablecoins à sua infraestrutura financeira. O que começou como uma ferramenta para traders de criptomoedas agora carrega o peso da dominância global do dólar e da solvência soberana americana.

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