Filme de US$ 70 milhões conta versão de Craig Wright sobre Satoshi Nakamoto

Filme de US$ 70 milhões conta versão de Craig Wright sobre Satoshi Nakamoto

Um filme de US$ 70 milhões de orçamento está levando para Hollywood uma das histórias mais controversas do mercado: a alegação de Craig Wright de que ele é Satoshi Nakamoto, o criador pseudônimo do Bitcoin.

Dirigido por Doug Liman, o longa está em pós-produção e tem Casey Affleck no papel de Wright. O elenco também inclui Gal Gadot, Calvin Ayre, Pete Davidson e Isla Fisher.

A produção vai além de atores tradicionais. Versões criadas por inteligência artificial de Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Jack Dorsey também aparecem no filme, segundo a BeInCrypto.

A proposta chamou a atenção de figuras ligadas à história do Bitcoin. Mark Karpelès, que comandou a Mt. Gox até o colapso da corretora em 2014, respondeu a uma publicação que ironizava apoiadores de Wright e indicou aos leitores o site bitcoin.movie.

A página não identifica um autor, mas apresenta decisões judiciais públicas como base para contestar a narrativa adotada pela produção.

O que o filme diz sobre Craig Wright

A produção apresenta Wright como um homem perseguido por adversários poderosos. O problema é que essa versão entra em conflito direto com uma decisão da Justiça britânica.

Em 2024, o High Court of England and Wales concluiu que Wright não escreveu o white paper do Bitcoin e não criou a rede. O juiz Mr Justice Mellor também afirmou que houve falsificação em grande escala.

A decisão foi ainda mais dura ao avaliar o comportamento de Wright durante o processo. Segundo o juiz: “Dr Wright lied to the Court extensively and repeatedly.”

Em dezembro de 2024, houve ainda uma decisão por desacato. Wright recebeu uma sentença suspensa de 12 meses depois de apresentar uma reivindicação de £900 bilhões contra desenvolvedores e empresas ligadas ao Bitcoin.

A relação entre Wright e Karpelès também tem um histórico jurídico. Em 2020, os advogados de Wright alegaram que ele era proprietário de bitcoins mantidos em duas carteiras relacionadas ao ataque que levou à queda da Mt. Gox.

Mesmo depois das decisões judiciais, Wright continua publicando argumentos sobre o funcionamento e a governança do Bitcoin. Em uma crítica recente, defendeu que as regras fundamentais da rede não deveriam mudar.

Produção envolve inteligência artificial e interesses ligados a Wright

O longa também tem uma conexão financeira relevante com a própria história que pretende contar. Calvin Ayre, antigo apoiador financeiro de Wright, teria ajudado a financiar o projeto.

A produção usa inteligência artificial para criar os cenários. Os atores gravaram em um palco vazio, enquanto os ambientes são produzidos digitalmente. Ryan Kavanaugh, produtor do filme, aponta esse formato como uma forma de reduzir custos.

O filme sobre Bitcoin foi apresentado no mercado de Cannes em abril. Até agora, porém, nenhum distribuidor assinou contrato para lançar a produção, e não há data de estreia definida.

A escolha do momento também chama atenção. A identidade de Satoshi Nakamoto continua sendo tema recorrente de investigações, documentários e disputas judiciais.

Em abril, uma investigação do New York Times apontou Adam Back, CEO da Blockstream, como uma possível identidade por trás de Satoshi. Back negou a alegação e, desde então, também questionou afirmações recentes feitas em documentários sobre a autoria do Bitcoin e o peso atribuído a publicações antigas em fóruns.

Com Hollywood agora envolvida, a história ganha uma nova versão em escala muito maior, mas, por enquanto, o projeto não altera o que já foi estabelecido pela Justiça britânica sobre as alegações de Craig Wright.