Os ETFs de Bitcoin atraem US$ 273 milhões e ensaiam recuperação no mercado

Os ETFs de Bitcoin atraem US$ 273 milhões e ensaiam recuperação no mercado

Os ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos interromperam uma sequência prolongada de resgates e registraram duas semanas consecutivas de saldo positivo. As 13 opções de investimento captaram US$ 75,7 milhões na última semana e US$ 197,4 milhões na anterior, somando US$ 273,1 milhões no período.

A movimentação dos ETFs de Bitcoin traz um respiro após um ciclo rigoroso de retiradas. Entre o início de maio e o final de junho de 2026, os fundos perderam mais de US$ 8,2 bilhões em ativos líquidos, pressionando a cotação do Bitcoin para seus níveis mais baixos desde o fim de 2024.

No mercado spot, o preço acompanhou o fluxo do capital. A criptomoeda iniciou sua reação ao cair abaixo dos US$ 58 mil no final de junho, retornando para a faixa de US$ 63 mil a US$ 65 mil na metade de julho, momento em que as captações nos fundos ganharam força.

O papel dos dados econômicos e do IBIT no futuro dos ETFs de Bitcoin

O ponto de virada dos ETFs de Bitcoin ocorreu em 2 de julho, com a entrada líquida de US$ 221,7 milhões. Na ocasião, o fundo FBTC da Fidelity liderou os aportes com US$ 165,96 milhões, seguido pelo ARKB da ARK com US$ 91,84 milhões, enquanto o IBIT da BlackRock registrou saída de US$ 40,43 milhões.

Poucos dias depois, em 6 de julho, o IBIT assumiu a liderança com uma captação diária de US$ 209,4 milhões, impulsionando o total do dia para US$ 265,7 milhões. Nick Ruck, da LVRG Research, descreveu esse movimento de entrada como uma “recomposição cautelosa de posições” por parte dos investidores institucionais.

A mudança de ritmo nos ETFs de Bitcoin foi impulsionada pela divulgação do relatório de empregos nos EUA em 2 de julho. O dado revelou a criação de apenas 57 mil vagas em junho e o desemprego em 4,2%, aliviando as expectativas de novas altas nos juros e favorecendo ativos de maior risco.

Por outro lado, preocupações geopolíticas envolvendo tensões entre EUA e Irã mostraram a volatilidade do momento, provocando um resgate pontual de US$ 424,7 milhões em 14 de julho. A reação rápida evidencia a forte sensibilidade do mercado aos indicadores da economia norte-americana.

Apesar do alívio recente, o acumulado do ano de 2026 ainda aponta para uma saída líquida de cerca de US$ 5,4 bilhões. Os US$ 273,1 milhões recuperados representam 3,3% do valor total drenado no período de quedas. Atualmente, os 13 fundos somam US$ 77,7 bilhões em patrimônio gerido (AUM).

A consultoria TechTimes classifica o momento atual como uma “janela de observação e reparo”. Segundo a análise, para confirmar uma virada consistente, o mercado precisará ver aportes semanais acima de US$ 500 milhões, o IBIT no positivo por um mês e o Bitcoin consolidado entre US$ 68 mil e US$ 70 mil.

O próximo evento decisivo ocorre em 28 de julho, data da reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (FOMC). A expectativa do mercado é pela manutenção das taxas de juros, o que pode manter a atratividade dos ETFs de Bitcoin, embora qualquer sinalização mais rigorosa possa alterar o apetite dos investidores.