Sem ágio no mercado cripto empresas de criptomoedas apostam o futuro em inteligência artificial

Sem ágio no mercado cripto empresas de criptomoedas apostam o futuro em inteligência artificial

Após amargarem forte desvalorização nas ações com a recente queda dos ativos digitais, diversas empresas de criptomoedas estão buscando na inteligência artificial uma alternativa para tentar recuperar a confiança do mercado. Contudo, essa mudança de rota ainda não trouxe os resultados esperados para grande parte do setor.

Um relatório da Bloomberg revela que pelo menos uma dúzia de companhias de tesouraria de ativos digitais migrou para projetos ligados à inteligência artificial nos últimos meses. O movimento ocorreu em resposta direta ao recuo no preço dos tokens e no valor de mercado dessas próprias companhias.

No modelo que vigorava até então, muitas empresas de criptomoedas captavam recursos e emitiam ações para comprar moedas digitais, esperando que seus papéis fossem negociados com ágio sobre o valor das reservas. Essa estratégia perdeu força quando a cotação das ações caiu abaixo do valor líquido dos próprios ativos armazenados.

Mineração ganha força enquanto empresas de criptomoedas enfrentam desafios

Ações de empresas do setor listadas nos Estados Unidos e no Canadá acumulam uma queda mediana de 43% este ano. Com o Bitcoin registrando recuo de 49% desde seu topo em outubro e o Ether acumulando queda de 62% em relação ao pico de agosto de 2025, os negócios começaram a explorar centros de dados, projetos espaciais e pequenos reatores nucleares.

Até mesmo a Strategy, que popularizou a estratégia sob a liderança de Michael Saylor, viu suas ações despencarem 81% em comparação ao recorde de 2024, enquanto reduzia sua posição em Bitcoin. Casos como o da K Wave Media, que caiu 71% desde maio ao focar em centros de dados, e da Alphaton Capital, que recuou 33% após se renomear como Alpha Compute em abril, reforçam a dificuldade dessa transição.

Por outro lado, o cenário tem se mostrado mais promissor para antigas mineradoras de Bitcoin. Como já possuem infraestrutura de energia, terrenos e centros de processamento, essas estruturas conseguem ser adaptadas com maior facilidade para computação de alta performance.

Um exemplo desse movimento é a Coreweave, que começou no setor de mineração e se transformou em provedora de computação em nuvem, alcançando valor de mercado de cerca de US$ 40 bilhões e alta de 80% desde sua oferta pública inicial em março de 2025. Outras companhias, como Hut 8, Iren e Terawulf, também atraíram investidores ao direcionar capacidade de processamento para demandas de inteligência artificial.

Já para empresas de criptomoedas que não dispõem de infraestrutura física comparável, mudar apenas o nome ou o foco comercial pode não ser suficiente para a sobrevivência do negócio. Segundo Daniel Forman, sócio da Lowenstein Sandler, “acho que as tesourarias de ativos digitais, como as conhecíamos, provavelmente acabaram”.