O ecossistema da maior criptomoeda do mercado pode passar por uma atualização técnica em breve. Desenvolvedores do Bitcoin estão debatendo a remoção de um mecanismo de sinalização que se tornou obsoleto e passou a atuar como uma espécie de “impressão digital”, prejudicando a privacidade dos usuários.
A discussão gira em torno do recurso conhecido como Replace-by-Fee (RBF), ou substituição por taxa. Criada originalmente para acelerar transações travadas na blockchain, a ferramenta funcionava como um aviso prévio inserido nas carteiras digitais, indicando que o remetente poderia pagar uma taxa maior caso a rede ficasse congestionada.
O cenário mudou porque a rede adotou recentemente o chamado “full-RBF” como política padrão ou seja, o sistema agora trata qualquer transação como substituível automaticamente por uma taxa mais alta. Com isso, os desenvolvedores do Bitcoin apontam que a sinalização manual das carteiras virou um código redundante e desnecessário.
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Como os desenvolvedores do Bitcoin buscam padronizar a rede
Um programador identificado como rkrux propôs formalmente a retirada desse sinal no software Bitcoin Core. Segundo ele, “há uma intenção na carteira do bitcoin core de remover a sinalização BIP 125 RBF em transações para as quais um PR foi aberto. A razão primária para sua remoção é porque, desde que o full-RBF se tornou uma política padrão, essa sinalização se tornou redundante”.
A eliminação dessa sinalização exige um planejamento coordenado entre os criadores de softwares de carteiras. Se cada plataforma remover a função de um jeito diferente, as transações na blockchain continuarão exibindo padrões distintos e fáceis de rastrear por ferramentas de análise de dados.
O participante da comunidade conhecido como Murch alertou que desativar o mecanismo não é tão simples quanto apagar um botão da tela, pois a estrutura do código exige o preenchimento obrigatório de um valor numérico na transação. Conforme explicou Murch, “parar de sinalizar a substituibilidade faz parecer que é uma questão de descartar uma impressão digital, mas… todo remetente precisa escolher uma sequência para cada entrada”.
Atualmente, cerca de 75% das operações na blockchain já utilizam um padrão específico, conhecido como MAX-2. Para evitar o rastreamento, a melhor alternativa técnica avaliada pelos desenvolvedores do Bitcoin é fazer com que todas as carteiras adotem esse mesmo número padrão, camuflando os dados dos usuários na maioria.
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