Changpeng Zhao (CZ), fundador da Binance, levantou um debate importante sobre a auto-custódia no mercado de criptomoedas. Segundo ele, guardar os próprios ativos pode ser estatisticamente mais arriscado do que mantê-los em corretoras centralizadas.
A afirmação ganha força com os dados compartilhados pelo analista Willy Woo, extraídos do relatório da River de 2025. Os números mostram que 1,57 milhão de Bitcoins já foram perdidos na auto-custódia, contra 1,51 milhão em corretoras.
Para CZ, a percepção de segurança é distorcida pela forma como os eventos são reportados. Invasões e falhas em corretoras geram manchetes imediatas e são rigorosamente rastreadas por empresas de segurança cibernética.
Em contrapartida, as falhas na auto-custódia ocorrem de forma silenciosa. Casos de chaves privadas perdidas, senhas esquecidas e carteiras físicas destruídas raramente viram notícia, indicando que as perdas individuais reais são ainda maiores do que o reportado.
Os desafios da auto-custódia frente aos fundos de proteção
O executivo observou que parte do volume perdido em exchanges tem origem em plataformas que nem operam mais, como a BitMEX, que encerrou atividades em julho. Além disso, as grandes corretoras atuais possuem mecanismos robustos de ressarcimento.
A Binance, como exemplo, mantém o fundo SAFU, que recentemente foi convertido em uma reserva de US$ 1 bilhão em Bitcoin. O objetivo desse capital é cobrir perdas de usuários em caso de violações nos sistemas da empresa.
Os perigos da auto-custódia ficaram evidentes no início de agosto, quando uma vulnerabilidade nas carteiras físicas Coldcard resultou no roubo de Bitcoins. Uma vítima perdeu US$ 1,6 milhão em poucos minutos, mesmo seguindo as práticas recomendadas de segurança.
CZ ressalta que não recomenda cegamente corretoras em vez de carteiras privadas, mas lembra que nenhuma configuração oferece proteção absoluta. A decisão deve ser baseada na tolerância ao risco do usuário. O Bitcoin era negociado próximo a US$ 60.347 no momento da declaração.

