A evolução da computação quântica tornou-se um debate central entre especialistas em segurança digital do Bitcoin. Durante o painel do BeInCrypto Experts Council, o docente da Universidade de Oxford Stefano Gogioso e a executiva Daniela Herrmann alertaram que o setor ignora um risco de proporções bilionárias.
O chamado “Q-Day” representa o momento em que um computador quântico conseguirá romper a proteção criptográfica da rede. No entanto, para Gogioso, fixar uma data exata é secundário perante a necessidade de mensurar as perdas potenciais.
“A questão não é ‘será em 2030?’. É qual é a probabilidade de um evento extremo até 2030 e quanto perderíamos”, afirmou Gogioso. Ele ressaltou que, mesmo com uma chance de apenas 2%, a falta de preparo poderia levar quase todo o ecossistema a zero.
O impacto real da computação quântica e a governança
As projeções sobre o avanço tecnológico da computação quântica diminuíram de forma drástica. Daniela Herrmann, CEO da Dynex, destacou que estimativas passadas de 30 anos caíram para prazos de um a cinco anos em discussões recentes, revelando que a inovação avança mais rápido do que o comunicado ao público.
A redução na quantidade de poder computacional exigido reforça essa tese. Em março de 2026, pesquisadores do Google Quantum AI, da Fundação Ethereum e de Stanford estimaram que quebrar a curva elíptica secp256k1 exige menos de 500 mil qubits físicos, um requisito 20 vezes menor do que os cálculos anteriores.
A vulnerabilidade técnica ocorre de forma pontual durante o envio de transações. Ao movimentar fundos, a chave pública do usuário fica exposta brevemente. Um computador quântico avançado poderia extrair a chave privada nesse intervalo de cerca de nove minutos, tempo inferior ao bloco médio de dez minutos da rede.
A maior ameaça da computação quântica, contudo, reside na reação psicológica do mercado e na perda de confiança. Gogioso enfatizou que “não é um problema técnico, é um problema de RP”. Segundo ele, se uma única moeda da era Satoshi for movimentada por um invasor, o pânico generalizado pode levar a uma corrida de saques.
Diferente do Ethereum, cujo fundador Vitalik Buterin impulsiona um plano de migração pós-quântica até 2028, o Bitcoin enfrenta desafios devido à sua estrutura descentralizada sem liderança central. Essa característica favorece o negacionismo quântico entre desenvolvedores mais conservadores, o que atrasa atualizações preventivas.
Com órgãos internacionais como o NIST americano projetando o fim do suporte a padrões de curva elíptica entre 2030 e 2035, e o próprio Google mirando 2029 para proteger seus produtos, a transição do mercado financeiro precisa começar anos antes da consolidação das novas máquinas.
Para proteger o ecossistema contra o avanço da computação quântica, os especialistas reforçam um tom otimista sobre a existência de soluções técnicas. O desafio atual não é a falta de ferramentas, mas sim a disposição da comunidade em coordenar a mudança a tempo.





