O Cazaquistão deu um passo decisivo no setor de ativos digitais ao lançar uma iniciativa oficial de mineração. O novo programa garante acesso a energia elétrica com preços estáveis por dez anos, mas exige uma contrapartida direta: a contribuição obrigatória de parte do Bitcoin produzido para a criação de uma reserva de criptomoedas sob controle estatal.
A iniciativa é fundamentada em decretos governamentais recentes e estabelece regras rígidas de operação. Para participar, as mineradoras privadas precisam destinar mensalmente 10% da sua produção líquida de Bitcoin, valor calculado após o desconto dos custos de transmissão de energia, eletricidade e impostos aplicáveis.
Os ativos arrecadados seguem um fluxo estruturado. Inicialmente, são direcionados a carteiras monitoradas pelo Fundo Cluster Autônomo Astana Hub. Em seguida, as criptomoedas são transferidas para a Corporação Nacional de Investimentos, órgão subordinado ao Banco Nacional responsável por gerir a nova reserva de criptomoedas estratégica do país.
Regras rígidas e expansão do ecossistema para a reserva de criptomoedas
As exigências operacionais para as empresas interessadas são proeminentes. O programa exige data centers com capacidade mínima de 150 megawatts, equipamentos com poder de processamento a partir de 150 terahashes por segundo por unidade, além de dupla conexão de internet e equipe técnica certificada para manutenção local.
Além das exigências técnicas, o Cazaquistão determina auditorias anuais independentes antes do dia 1º de abril. Caso alguma empresa apresente inconsistência nos repasses devidos, haverá um prazo limite de 30 dias corridos para a regularização dos valores sob pena de sanções.
Nesta fase inicial, a usina Ekibastuz GRES-1 foi designada como fornecedora exclusiva de energia, reservando uma quota de 300 megawatts. As mineradoras aprovadas assinarão acordos de dez anos com tarifas reguladas que não podem ultrapassar o teto máximo permitido ao produtor.
O plano do governo vai além do Bitcoin. O portfólio da reserva de criptomoedas incluirá também derivados de ativos digitais e participações societárias em empresas do setor. O ecossistema prevê ainda infraestrutura de tokenização, sistemas de pagamentos em stablecoins e títulos públicos tokenizados.
Desde que atraiu mineradores após a proibição da atividade na China em 2021, o Cazaquistão enfrentou severos gargalos em sua rede elétrica. O novo modelo marca uma transição para o crescimento regulado, convertendo a demanda energética em acúmulo de reservas para os cofres públicos.





