Bolívia mira USDT para contornar crise cambial e integrar stablecoin aos pagamentos nacionais

Bolívia mira USDT para contornar crise cambial e integrar stablecoin aos pagamentos nacionais

A discussão sobre o uso da USDT na Bolívia ganhou força com o governo avaliando integrar a maior stablecoin pareada ao dólar ao sistema de pagamentos nacional. A decisão ocorre em um momento de reformulação econômica do país, que retirou a proibição sobre transações cripto em 2024.

O Ministro da Economia boliviano, José Gabriel Espinoza Yáñez, destacou em coletiva que o processo exige cautela. O país tenta se adequar a regras globais, uma vez que se encontra na lista cinza do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), que aponta fragilidades contra a lavagem de dinheiro.

Os desafios e o crescimento do USDT na Bolívia

Segundo Yáñez, “Lembrem-se de que a Bolívia está na lista cinza [do Grupo de Ação Financeira Internacional], mais uma consequência dos problemas que nos deixaram no passado, e esses criptoativos devem ser avaliados com cuidado”. Ele reforçou que o governo trabalha em regulamentações para quem já utiliza os ativos por necessidade.

“Estamos trabalhando em regulamentações para governar o uso deles para aqueles que os adotaram, em muitos casos por necessidade, e sabem como usá-los adequadamente”, complementou o ministro durante o pronunciamento à imprensa local.

O ministro defendeu que o cenário econômico local melhorou muito nos últimos oito meses graças a medidas planejadas antes de sua gestão. “A economia boliviana hoje é consideravelmente diferente do que encontramos há oito meses”, afirmou, completando que “as medidas que implementamos são parte de um plano desenhado antes de assumirmos o cargo, e os resultados estão começando a validar essa abordagem”.

A liberação do setor de ativos digitais gerou um crescimento expressivo no país. De julho de 2024 a junho de 2025, a nação registrou mais de US$ 14,8 bilhões em volume de transações cripto, superando mercados vizinhos como Equador e Porto Rico, segundo dados da Chainalysis.

O avanço da USDT na Bolívia também é impulsionado pelo setor privado. Em outubro de 2024, o Banco Bisa, um dos maiores do país, passou a oferecer custódia exclusiva para a stablecoin da Tether. A moeda digital possui hoje mais de US$ 184 bilhões em capitalização de mercado, ocupando o terceiro lugar entre todos os criptoativos.

A movimentação chamou a atenção de Paolo Ardoino, CEO da Tether. Em publicação nas redes sociais, o executivo apontou que “a USDT é cada vez mais usada como uma pedra angular em várias economias de mercados emergentes”.

Diante disso, a regulamentação definitiva da USDT na Bolívia pode servir de modelo para outras nações da América Latina, região que movimentou quase US$ 1,5 trilhão em criptoativos no acumulado de três anos até junho de 2025.