O Bitcoin voltou a chamar atenção do mercado após um movimento raro nos dados on-chain. Com a criptomoeda negociada próxima de US$ 62 mil, uma métrica acompanhada há mais de uma década caiu abaixo de um nível que havia resistido a todos os grandes ciclos de baixa desde 2011.
Segundo dados compartilhados pela CryptoQuant, o volume de Bitcoin em lucro atualmente está em cerca de 10,2 milhões de BTC. A métrica mede quantas moedas permanecem acima do preço de compra de seus detentores.
Historicamente, os fundos de mercado registrados em 2011, 2014-2015, 2018 e 2022 levaram essa métrica até uma linha de tendência ascendente, mas sem rompê-la. Desta vez, porém, o indicador caiu abaixo desse patamar, criando uma situação inédita na série histórica, o que significa que o número de moedas em lucro ficou menor do que o esperado para o estágio atual do ciclo e para o tamanho da oferta circulante de Bitcoin.
Número de transações do Bitcoin bate recorde desde 2024, mas preço não acompanha
Bitcoin enfrenta pressão técnica e saída de recursos dos ETFs
Atualmente, existem cerca de 20 milhões de BTC em circulação. Com 10,2 milhões de moedas ainda no lucro, aproximadamente metade da oferta total permanece em posição positiva, enquanto os outros 9,8 milhões de BTC estão em prejuízo.
O contraste é significativo quando comparado ao período de euforia entre o fim de 2024 e o início de 2025, quando o Bitcoin negociava acima de US$ 100 mil e quase toda a oferta circulante estava no verde. O cenário gráfico também segue desfavorável para os compradores.
O preço está abaixo das três principais médias móveis acompanhadas pelo mercado; a média de 50 dias está em US$ 71.457, a de 100 dias em US$ 72.127 e a de 200 dias em US$ 76.450. Além disso, o índice RSI está em 36,60, próximo da região considerada sobrevendida, mas sem sinal claro de recuperação.
Enquanto isso, os ETFs de Bitcoin à vista registram um fluxo predominantemente negativo. Nos últimos 12 pregões analisados, apenas três apresentaram entradas líquidas de recursos. O pior resultado ocorreu em 5 de junho, quando os produtos registraram saída de US$ 325,69 milhões.
O dado mais recente também manteve a tendência de retirada de capital, com saída líquida de US$ 68,18 milhões. Apesar disso, outro indicador mostra um comportamento diferente entre investidores do mercado. A proporção de Bitcoin mantida em exchanges caiu para 0,133, um dos níveis mais baixos desde maio de 2023. O movimento sugere que moedas continuam sendo retiradas das plataformas de negociação mesmo durante a queda de preço.
Esse comportamento normalmente está associado à transferência de ativos para carteiras privadas, reduzindo a quantidade de BTC imediatamente disponível para venda. A combinação dos dados cria uma divergência: de um lado, investidores expostos aos ETFs seguem reduzindo posições. Do outro, participantes do mercado on-chain continuam retirando moedas das exchanges.
Ainda assim, os números não permitem concluir se essas retiradas representam acumulação de longo prazo ou apenas migração para operações em mercados OTC e protocolos DeFi. Por enquanto, o que os dados mostram é um Bitcoin pressionado tecnicamente, enfrentando saídas de recursos dos ETFs, mas com parte da oferta sendo retirada das exchanges em meio à correção do mercado.
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