BIS alerta que boom das stablecoins nos mercados emergentes escapa das restrições cambiais globais

BIS alerta que boom das stablecoins nos mercados emergentes escapa das restrições cambiais globais

O crescimento da adoção de stablecoins nos mercados emergentes está criando uma nova dinâmica financeira conhecida como “dolarização digital”. Segundo um estudo recente do Banco de Compensações Internacionais (BIS), esses ativos vinculados ao dólar operam em grande parte fora do perímetro regulatório tradicional, reduzindo a eficácia dos controles de capital.

Ao analisar depósitos em moeda estrangeira e os fluxos de tokens pareados ao dólar em mais de 130 economias, os pesquisadores do BIS identificaram que ambos crescem em momentos de estresse macroeconômico. No entanto, o fluxo de stablecoins nos mercados emergentes quase não reage às restrições cambiais impostas pelas autoridades, diferentemente dos depósitos bancários tradicionais.

Esse movimento permite que famílias e empresas migrem para o dólar fora do sistema bancário formal. O processo afeta nações que enfrentam moedas enfraquecidas ou acesso restrito a serviços financeiros, levantando preocupações sobre a soberania monetária.

O avanço das stablecoins nos mercados emergentes e na América Latina

Apesar disso, o BIS observou pouca evidência de que a dolarização enfraqueça a transmissão da política monetária, embora países com mais depósitos em dólar enfrentem maior risco de inflação.

Os dados práticos reforçam as conclusões do relatório. Na Nigéria, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que famílias e pequenas empresas utilizam criptomoedas pareadas ao dólar para remessas transfronteiriças e proteção patrimonial. Motivados pela inflação e pela desvalorização cambial, os usuários aproveitam custos e prazos reduzidos, embora o uso amplo das stablecoins nos mercados emergentes possa enfraquecer moedas locais.

Na América Latina, o crescimento do setor atinge patamares expressivos. A Bitso Business reportou um aumento de 81% no volume de pagamentos com esses ativos no primeiro semestre de 2026. Além disso, os tokens USDC (Circle) e USDT (Tether) responderam por 40% de todas as compras cripto na região em 2025, superando o Bitcoin pela primeira vez.

O valor global de mercado desses ativos saltou de US$ 260 bilhões para aproximadamente US$ 309,7 bilhões em um ano. Diante desse cenário, o BIS ressalta que formuladores de políticas precisam de novas ferramentas de fiscalização, já que as normas tradicionais se mostram menos eficazes no ecossistema tokenizado.