O mercado de criptomoedas encerrou o último mês com resultados muito acima do padrão histórico. A alta do Bitcoin rompeu uma sequência de quatro anos de quedas consecutivas, entregando o melhor desempenho para um mês de agosto em nove anos.
O ativo iniciou o período na faixa de US$ 60 mil, chegou a ultrapassar a marca de US$ 81 mil e fechou cotado em torno de US$ 78.600. Segundo os dados da CoinGlass, essa movimentação representa um avanço de 24,95%.
O desempenho contrasta fortemente com os ciclos de mercado anteriores. Em fases pós-pico, o mês de agosto costuma registrar perdas, como visto nos recuos de 2014, 2018 e nos tombos de dois dígitos em 2022 e 2023.
Embora o mercado ainda opere abaixo do topo histórico de US$ 126 mil alcançado em outubro de 2025, o avanço mensal manteve a dominância da principal criptomoeda oscilando entre 57% e 59%.
O otimismo também se espalhou para as chamadas altcoins. Os ETFs de Ethereum registraram entradas de US$ 697 milhões em uma única semana, garantindo ganhos mensais superiores a 30%. A Solana avançou mais de 40%, enquanto tokens de finanças descentralizadas (DeFi) como HYPE, UNI e AAVE subiram 60%, 30% e 40%, respectivamente.
Parte expressiva dessa resiliência é sustentada pela forte demanda institucional. Os ETFs de Bitcoin à vista captaram US$ 216,7 milhões apenas em 31 de agosto, logo após uma semana de entradas recordes de US$ 924,5 milhões.
Na mesma direção, a empresa de Michael Saylor reforçou suas reservas comprando 4.603 bitcoins por aproximadamente US$ 370 milhões, elevando seu saldo total para 845.050 BTC.
O impacto da alta do Bitcoin frente aos riscos de setembro
Apesar da sólida alta do Bitcoin recente, setembro historicamente impõe barreiras ao setor. Apelidado pelos investidores de “Rektember”, o mês acumula uma média de perdas de quase 3% desde 2013, com apenas cinco edições positivas em treze anos.
O cenário macroeconômico atual reforça a cautela. Declarações rígidas de membros do Federal Reserve no simpósio de Jackson Hole aumentaram as chances de um novo aperto monetário. Atualmente, a probabilidade de um aumento na taxa de juros em 16 de setembro é calculada em 67%.
Somam-se a isso as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impulsionaram o preço do petróleo Brent para cima dos US$ 90, revivendo as preocupações globais com a inflação.
Diante desses fatores, o ativo iniciou setembro com um leve recuo, operando na faixa de US$ 77.400. Analistas de mercado já monitoram a região dos US$ 75 mil, que atua como o principal suporte de preço sustentado pelos compradores institucionais.


