Uso de criptomoedas triplica no Oriente Médio e atinge US$ 350 bilhões em meio a conflitos

Uso de criptomoedas triplica no Oriente Médio e atinge US$ 350 bilhões em meio a conflitos

A movimentação com criptomoedas no Oriente Médio registrou um salto expressivo, alcançando a marca de US$ 350 bilhões no período entre 2025 e 2026. O valor representa mais do que o triplo dos aproximadamente US$ 100 bilhões registrados em 2022, impulsionado pela busca por proteção patrimonial em meio a instabilidades regionais.

Um relatório publicado pelo Bitcoin Policy Institute indica que as movimentações financeiras na região ganharam um novo contorno. Em vez do capital migrar totalmente para fora da região, uma fatia crescente de investidores preferiu redirecionar recursos para ativos digitais, utilizando o Bitcoin como salvaguarda econômica.

No início do confronto entre Israel e Irã, em junho de 2025, o mercado de criptoativos registrou um recuo inicial acompanhando as bolsas globais. Os investidores adotaram uma postura temporária de aversão ao risco, alinhando o comportamento do setor às ações de mercados tradicionais.

Pouco depois, houve uma rotação expressiva de capital de ativos digitais mais arriscados em direção ao Bitcoin. A dominância da principal criptomoeda atingiu 64,8% do mercado total no auge de um mês, resultando na estabilização de sua cotação mesmo diante do cenário tenso.

Como a busca por proteção impulsiona as criptomoedas no Oriente Médio

A procura por soluções digitais cresceu à medida que a população tentava se proteger contra os efeitos econômicos dos conflitos, como inflação, encarecimento do petróleo e taxas de juros elevadas. Outro fator decisivo foi a operação contínua das redes de blockchain, enquanto os mercados tradicionais permaneciam fechados.

Em nações afetadas por sanções e desvalorização cambial, a aceitação das criptomoedas no Oriente Médio cresce como alternativa viável. Países como Egito, Turquia, Líbano e Irã viram o avanço do uso de Bitcoin e stablecoins lastreadas em dólar para manter o poder de compra e realizar transferências financeiras.

O fluxo de capital demonstrou forte agilidade após eventos militares. A firma de inteligência Chainalysis identificou cerca de US$ 10,3 milhões saindo de corretoras iranianas entre 28 de fevereiro e 2 de março deste ano, logo após ataques promovidos por Estados Unidos e Israel. Segundo a empresa, os valores podem abranger saques individuais, ajustes de liquidez das plataformas ou ações estatais.

Em contraste com as áreas em crise, países como Emirados Árabes Unidos e Bahrein avançam na regulamentação para atrair investidores institucionais. Em maio, a Payward, empresa mãe da corretora Kraken, recebeu aprovação preliminar da Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais de Dubai para operar com gestão de investimentos e corretagem.