Startups de Web3 priorizam tokenização e trocam ecossistema DeFi por grandes bancos

Startups de Web3 priorizam tokenização e trocam ecossistema DeFi por grandes bancos

O cenário global de desenvolvimento em blockchain passa por uma transformação radical neste ano. Um novo relatório revela que as startups de Web3 estão deixando de criar soluções para o ecossistema puramente cripto para focar suas energias no atendimento a grandes instituições financeiras tradicionais.

Segundo o estudo The State of Web3 Capital 2026, que analisou mais de 200 propostas de projetos de startups de Web3 entre janeiro e maio, a tokenização de ativos e a infraestrutura regulada ganharam em definitivo o espaço antes dominado pelas finanças descentralizadas (DeFi).

Ferdinand Le Tendre, chefe da aceleradora X Ventures, aponta que o movimento sinaliza uma tomada de posição clara no setor. “A maioria das pessoas lê este relatório e vê um mercado amadurecendo. Eu vejo um mercado escolhendo um lado, e ele está escolhendo as finanças institucionais em vez das finanças nativas de cripto”, destacou o executivo.

Os dados dão suporte à tese. A tokenização de ativos reais (RWA) lidera os planos das novas startups de Web3, abocanhando 29% das propostas de novos negócios. O DeFi tradicional ficou em segundo lugar, com 23%, seguido por inteligência artificial descentralizada (11%) e DePIN (7%). Setores focados em infraestrutura agora somam mais de 70% das iniciativas dos desenvolvedores.

Nessa transição, as stablecoins deixaram de ser apenas ferramentas técnicas de suporte e viraram o principal ponto de entrada para discussões de pagamentos com bancos. Em vez de lançar tokens para o público geral, o ecossistema foca em resolver dores de tesouraria de grandes corporações.

O novo perfil financeiro das startups de Web3

O mercado também exibe maior maturidade financeira para as startups de Web3. Embora 89% dos projetos avaliados estejam em fases iniciais de captação (com 49% em pre-seed e 40% em seed), o modelo de negócios mudou bastante em comparação com os ciclos anteriores do mercado cripto.

Quase metade das empresas já valida sua proposta de valor no mercado real antes mesmo de buscar escala: 37% delas já geram receita recorrente e outras 7% operam com lucratividade líquida. O lançamento de economias baseadas em tokens virou uma preocupação secundária na agenda dos fundadores.

No mapa geográfico do setor, a América do Norte retém a liderança concentrando 35% das propostas, com a Europa garantindo a segunda posição com 25%. O destaque de crescimento vai para o Oriente Médio, que dobrou sua participação para 5%, impulsionado por incentivos estatais nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita.

Por fim, a dinâmica das redes blockchain também aponta para o ambiente institucional. Embora Solana (25%), Ethereum (22%) e Base (21%) liderem as menções, a rede Canton Network surgiu como um destaque silencioso com 7% de preferência, superando redes tradicionais como a BNB Chain, Avalanche e o próprio Bitcoin.

Le Tendre conclui afirmando que os grandes vencedores deste ciclo de mercado não serão os projetos com comunidades mais barulhentas nas redes sociais. O sucesso pertencerá àqueles que construírem estruturas prontas para o uso bancário e que consigam provar receita gerada de forma sustentável.