O pacto de minerais estratégicos da América do Sul que promete tirar o sono dos gigantes globais

O pacto de minerais estratégicos da América do Sul que promete tirar o sono dos gigantes globais

Argentina, Brasil, Chile e Peru oficializaram um acordo inédito focado em minerais estratégicos. O objetivo do grupo é transformar as reservas sul-americanas de lítio, cobre e terras raras em uma vantagem geopolítica coordenada.

A iniciativa surge no momento em que a disputa mundial por recursos depende cada vez mais de alianças diplomáticas. A meta das nações sul-americanas é criar um bloco forte o suficiente para reduzir o domínio atual da China na etapa de processamento desses materiais.

O novo tratado consolida meses de aproximação regional. A Argentina e o Chile já avançam na integração de projetos fronteiriços de cobre baseados em um acordo de 1997, movimento com potencial para atrair US$ 20,7 bilhões em investimentos e elevar a produção anual em 540 mil toneladas.

O Brasil também estruturou sua própria base de apoio institucional. O Ministério de Minas e Energia assinou recentemente um acordo de cooperação técnica com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).

O plano brasileiro é desenvolver cadeias de suprimentos integradas de minerais estratégicos envolvendo o Mercosul e o Chile. O Peru completa o bloco com a participação ativa de suas associações de mineração, que debatem estratégias unificadas de venda desde o simpósio PERUMIN, realizado em maio.

O impacto do acordo de minerais estratégicos no mercado global

Os Estados Unidos e a União Europeia já adotam políticas de incentivo para garantir o fornecimento de matérias-primas por parceiros comerciais e aliados políticos. O governo americano, inclusive, assinou acordos de fornecimento com Argentina, Chile, Paraguai e Peru no início do ano.

A região sul-americana possui um peso decisivo no fornecimento de energia para o futuro. O chamado Triângulo do Lítio, formado por Argentina, Bolívia e Chile, detém mais de 50% das reservas globais conhecidas da commodity, recurso essencial para a produção de baterias de veículos elétricos e armazenamento de energia.

O principal obstáculo para o desenvolvimento coordenado das nações sul-americanas será a execução dos projetos. A instabilidade econômica na Argentina, o histórico de protestos em áreas de mineração no Peru e as mudanças regulatórias no Brasil são riscos operacionais no avanço da produção de minerais estratégicos.