O fundador da Strategy, Michael Saylor, tem uma mensagem direta para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho: aprendam a usar a inteligência artificial antes dos outros. Em uma entrevista recente ao podcast ‘Diary of a CEO’, ele detalhou como a tecnologia pode gerar vantagens financeiras.
Segundo o executivo, tentar competir com as máquinas em tarefas rotineiras de conhecimento é uma escolha ruim para o longo prazo. “Você não quer aprender a fazer coisas que a IA pode fazer. O que você quer é aprender a pedir à IA para fazer algo inédito”, afirmou.
Ele chama essa estratégia de buscar a “nova curva S”, que significa se posicionar no início de uma fase de rápido crescimento tecnológico. No entanto, para Michael Saylor, apenas saber usar o ChatGPT não basta.
A verdadeira vantagem surge ao combinar a fluência em inteligência artificial com um profundo conhecimento especializado em um setor específico.
O contraste entre o otimismo de Michael Saylor e o momento da Strategy
Além da tecnologia, o executivo manteve sua postura crítica em relação aos investimentos tradicionais. Ele argumentou que comprar imóveis, abrir empresas ou investir em outras companhias são atividades difíceis, que envolvem alta carga tributária e custos de manutenção.
Para ele, o ativo digital continua sendo a escolha mais prática e atraente. “Por que a pessoa comum não deveria apenas pegar seu dinheiro, colocar em um ativo que se valoriza 15% ao ano e não ter que se preocupar com isso?”, questionou durante a entrevista.
Apesar dos conselhos confiantes de Michael Saylor, a realidade atual da sua própria empresa ilustra os riscos de apostas financeiras agressivas. O ano de 2026 tem se provado um período de grandes desafios para a Strategy.
Até o dia 16 de agosto, a companhia acumulava 840.447 Bitcoins, comprados por cerca de US$ 63,36 bilhões, com um preço médio de US$ 75.385 por unidade. O impacto da queda nos preços da criptomoeda resultou em um pesado prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões apenas no segundo trimestre.
A estratégia da empresa também começou a atrair críticas do mercado. Os questionamentos envolvem a diluição das ações para os acionistas e as recentes vendas de Bitcoin, um movimento que contraria os anos em que a companhia defendeu a filosofia de apenas guardar o ativo indefinidamente.
Diante desse cenário de balanço negativo, o próprio Michael Saylor mudou o tom e alertou os investidores nesta semana para se prepararem para “anos difíceis”. A situação mostra que, embora antecipar tendências tecnológicas possa criar oportunidades, a gestão de risco e a execução continuam sendo fundamentais.

