A Índia deu um passo importante para integrar a tecnologia blockchain ao sistema financeiro tradicional com o início da tokenização de títulos corporativos. O país lançou um projeto piloto para emitir e liquidar esses ativos digitais em um mercado avaliado em US$ 620 bilhões.
O programa, batizado de “Demat 2.0”, foi apresentado pelo Conselho de Valores Mobiliários da Índia (SEBI) em parceria com o Banco Central do país (RBI). A iniciativa utiliza a versão atacadista da rupia digital indiana para realizar as operações financeiras.
Na prática, um título corporativo é emitido como um token digital nativo em uma rede privada e permissionada, operada pelas depositárias oficiais do país. Três empresas já utilizaram a nova estrutura, captando um total de cerca de US$ 107 milhões.
A credora estatal REC liderou o movimento no dia 7 de setembro, levantando 500 crores de rúpias (unidade de valor local) junto a 18 investidores. Em seguida, a Larsen & Toubro captou o mesmo valor, e a instituição financeira IIFL Finance levantou outros 25 crores de rúpias no novo sistema.
O modelo conecta o registro de tokens à rupia digital por meio de uma interface unificada, o que permite a chamada liquidação atômica. Isso significa que o título financeiro e o pagamento trocam de mãos de forma simultânea.
Vantagens da Tokenização de Títulos Corporativos
Com a liquidação instantânea, os emissores recebem os recursos no mesmo dia do leilão, em vez de aguardar o prazo de dias úteis tradicionais. Além disso, os contratos inteligentes permitem a automação dos pagamentos de juros e resgates programados.
A SEBI destacou que a tokenização de títulos corporativos não altera a validade jurídica dos ativos. As notas de crédito, as regras de listagem e as proteções aos investidores continuam valendo da mesma forma.
Os investidores podem manter os tokens em suas contas atuais sem a necessidade de novas verificações de identidade. As próximas fases do projeto devem introduzir negociações no mercado secundário e abrir o acesso direto aos investidores de varejo.
Embora o país mantenha uma postura restritiva em relação às criptomoedas privadas, a Índia avança na adoção institucional da blockchain. O objetivo do uso da tecnologia é modernizar a infraestrutura estatal e ampliar o acesso a investimentos.


