A entidade máxima do futebol mundial anunciou planos para criar uma subsidiária de US$ 20 bilhões, batizada de FIFA Forward Enterprise (FFE). O objetivo principal da nova empresa será administrar as operações comerciais e de eventos vinculados à Copa do Mundo.
A proposta inclui a oferta de até 20% de participação na subsidiária para investidores externos, com a expectativa de captar cerca de US$ 4,2 bilhões. Um grupo liderado pela Thrive Eternal, veículo de investimentos fundado por Joshua Kushner, deve encabeçar o aporte de capital privado, com assessoria do banco JPMorgan.
Apesar da injeção bilionária, a organização suíça manterá o controle exclusivo da subsidiária. Decisões regulatórias, calendário de partidas e governança esportiva continuarão sob domínio estrito da entidade organizadora da Copa do Mundo.
A Reação da UEFA e o Futuro da Copa do Mundo
Segundo Gianni Infantino, atual presidente da organização, a iniciativa visa aumentar o repasse de verbas para o desenvolvimento global do esporte. “O futebol é o esporte mais popular do mundo e um motor extraordinário de desenvolvimento humano e social”, declarou em comunicado oficial.
Infantino também reforçou a intenção de democratizar os recursos financeiros da instituição. “Nosso trabalho é garantir que o resto do futebol cresça junto com ele: a FIFA existe para apoiar o desenvolvimento sustentável e inclusivo em todos os cantos do mundo.”
A movimentação financeira gerou fortes críticas da UEFA, que acusa a organização internacional de colocar a essência do esporte à venda. A federação europeia declarou publicamente que o projeto ultrapassa limites institucionais.
“A alma e a governança do futebol não são ativos para negociação, especialmente com zero transparência sobre quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não é da FIFA para vender”, afirmou a UEFA em nota, expondo a deterioração das relações entre as entidades.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, também criticou o plano de comercialização da Copa do Mundo. Em uma rede social, ele cravou: “A Copa do Mundo não é um produto. É a maior competição do esporte mundial e nunca foi de ninguém para ser vendida. Maquie o acordo como quiser. Uma vez que você vendeu um pedaço dele, você se vendeu.”
O professor de finanças da Universidade de Notre Dame, Richard Sheehan, classificou a ação corporativa como uma manobra questionável da liderança. “Do ponto de vista de uma organização sem fins lucrativos, teoricamente arrecadando dinheiro para tornar o futebol acessível a todos, esse movimento é uma farsa”, argumentou o especialista.
O projeto de investimento será apresentado em breve às 211 associações membros e ao Conselho da organização, que terão a palavra final.
Se aprovado, o capital levantado financiará um programa que distribuirá até US$ 20 milhões para cada associação focar em infraestrutura e futebol de base, com previsão de aumento para US$ 24 milhões até o ciclo da Copa do Mundo de 2035-2038.



