Os gastos com cartões de criptomoedas mais que triplicaram no último ano, alcançando a marca impressionante de US$ 1,04 bilhão em julho. Esse salto não foi impulsionado por compras de nicho, mas por despesas cotidianas comuns, como idas ao supermercado, aplicativos de transporte e delivery de comida.
As stablecoins atreladas ao dólar são as grandes responsáveis por esse movimento, financiando 70% das mais de 10 milhões de transações rastreadas. O USDC liderou absoluto com 50,8% do volume de julho, seguido pelo USDT com 20,3%, consolidando o domínio dos dólares digitais nas compras diárias.
O ticket médio dos cartões de criptomoedas também subiu, passando de US$ 59 para cerca de US$ 86 por transação em relação ao ano anterior. Os números globais mostram uma mudança clara: os consumidores não estão apenas guardando ativos digitais, mas usando ativamente essas moedas para pagar as contas do mês.
Thomas Gregory, VP de Pagamentos e Fiat da Binance, explicou ao CoinDesk que o verdadeiro avanço do setor se mede pela utilidade prática. “Os cartões financiados por stablecoins dão aos usuários maior flexibilidade em como gastam, movimentam e acessam seu dinheiro”, afirmou.
Essa tecnologia permite que os clientes gastem seus saldos utilizando a infraestrutura global da Visa ou Mastercard. Na hora de pagar, a criptomoeda é convertida de forma automática, e o comerciante recebe os fundos em sua moeda local sem precisar alterar sua rotina de caixa.
O Avanço dos Cartões de Criptomoedas no Brasil e América Latina
O mercado latino-americano entrega dados reveladores sobre o uso prático dos cartões de criptomoedas. A operadora Oobit relatou que seus usuários ativos no Brasil gastam cerca de US$ 400 por mês, sendo 35% desse montante direcionado a supermercados.
Já na Argentina, onde a busca por dólares é forte, 72% dos pagamentos da Oobit foram feitos usando USDT, com o setor de alimentação respondendo por 41% de todas as transações realizadas no período.
Eduardo Prota, diretor executivo da Oobit para o Brasil, destacou a dupla função atual desses ativos. “As stablecoins estão ajudando as pessoas a preservar valor e, em seguida, permitindo que usem esse mesmo saldo para despesas diárias”, comentou ele sobre a mudança de comportamento.
A Binance reportou números igualmente expressivos. A corretora registrou um aumento de 53% no número médio de usuários de seu cartão no Brasil, com o volume transacionado crescendo 80%. Corridas de aplicativo, restaurantes e assinaturas online estão entre os usos favoritos.
Embora o mercado global ainda seja concentrado em grandes emissores como RedotPay e EtherFi, a direção da indústria é evidente. Tianwei Liu, CEO da StraitsX, resumiu a atual fase de maturidade dos cartões de criptomoedas: “O que mais se destaca é o quão comum o gasto se tornou”.


