O setor de finanças descentralizadas (DeFi) pode precisar seguir uma estratégia semelhante à da gigante dos aplicativos de transporte para conquistar respaldo jurídico. Segundo Stani Kulechov, fundador da Aave, impulsionar a adoção popular é a chave para acelerar a regulamentação do DeFi, tornando o ecossistema grande demais para ser ignorado pelos legisladores.

A declaração sobre a regulamentação do DeFi ocorreu em entrevista a Gareth Jenkinson, da The Block, durante o evento Avalanche Summit, em Nova York. O encontro aconteceu menos de 24 horas após o Senado dos Estados Unidos votar contra o avanço do Clarity Act, por 49 votos a 50.

Apesar da votação, Kulechov afirmou continuar esperançoso de que a legislação possa ser aprovada este ano, destacando que parlamentares de ambos os lados buscam definições mais claras, salvaguardas e estrutura de mercado. Contudo, o executivo ponderou a necessidade de uma estratégia alternativa rumo à regulamentação do DeFi.

“Mas se isso obviamente não acontecer, acho que o objetivo final é realmente usar essa tecnologia e capacitar milhões de pessoas ao redor do mundo”, afirmou Kulechov. “Por isso chamo isso de caminho do Uber no futuro”, completou.

Desafios de mercado e a regulamentação do DeFi

Para além de Washington, a Aave direciona sua nova fase de crescimento para a expansão da infraestrutura além dos criptoativos nativos, alcançando ações, títulos e outros ativos do mundo real tokenizados.

Em resposta à demanda institucional por empréstimos onchain, o protocolo revelou um hub na rede Avalanche focado em empréstimos que utilizam esses ativos digitais como garantia para stablecoins.

Na visão do executivo, o setor atingiu um estágio em que a tecnologia já não representa a barreira primária. “Tokenização e DeFi não são mais um desafio tecnológico”, declarou Kulechov. “Acho que é um desafio de go-to-market.”

Para atrair o público final, a Aave planeja lançar um aplicativo com foco em uma experiência simplificada de poupança. O produto deve ocultar a complexidade técnica de carteiras, redes e stablecoins, permitindo a movimentação direta de recursos entre contas bancárias e o protocolo. “Acho que o DeFi estará conectado a todas as finanças nas próximas décadas”, concluiu Kulechov.

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Luíza Nunes
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