Ethereum perde espaço nos perpétuos, mas reforça sua posição como base da DeFi

Ethereum perde espaço nos perpétuos, mas reforça sua posição como base da DeFi

Os contratos perpétuos em criptomoedas se consolidaram como um dos segmentos de crescimento mais acelerado do mercado, mas essa expansão está acontecendo longe da camada principal do Ethereum. Hoje, plataformas como Hyperliquid, Solana e redes de segunda camada (layer 2) concentram boa parte da atividade, enquanto o Ethereum passa a ocupar uma função diferente dentro da infraestrutura do setor.

Durante anos, o Ethereum liderou a inovação em finanças descentralizadas (DeFi), servindo de base para protocolos de empréstimos, ativos tokenizados e aplicações financeiras. No entanto, o mercado de contratos perpétuos exige uma infraestrutura capaz de processar um grande volume de operações com rapidez e baixo custo, características que a rede principal do Ethereum não foi projetada para oferecer.

Segundo AJ Warner, diretor de estratégia da Offchain Labs, empresa responsável pelo desenvolvimento da Arbitrum, esse perfil favorece soluções de segunda camada. “Perps require frequent transactions, fast execution, and deep liquidity. That makes them a natural use case for the Arbitrum platform.”

Ethereum e perpétuos em criptomoedas seguem conectados

Apesar de perder espaço como ambiente de execução, o Ethereum continua sendo considerado uma peça central para os perpétuos em criptomoedas. Redes como Arbitrum e Base utilizam sua segurança para liquidação das operações, além de concentrar grande parte da liquidez, das stablecoins e dos ativos utilizados como garantia.

Chris Boulous, da Dromos Labs, afirma que a liquidez é um dos principais fatores para o sucesso dessas plataformas. Segundo ele, exchanges à vista e mercados de perpétuos funcionam de forma complementar, compartilhando preços, liquidez e mecanismos de proteção para os participantes.

Enquanto isso, Solana e Hyperliquid seguiram outro caminho. A Hyperliquid desenvolveu uma blockchain otimizada especificamente para negociações de contratos perpétuos, enquanto a Solana aproveitou sua combinação de baixas taxas e forte atividade do varejo, impulsionada principalmente pelo mercado de memecoins.

Brian Smith, da Jito Foundation, avalia que o fluxo orgânico de investidores é um diferencial competitivo importante. Para ele, Solana lidera atualmente essa atividade entre usuários de varejo, o que fortalece seu ecossistema para negociações de alta frequência.

Outro desafio apontado para o Ethereum é a fragmentação da liquidez entre diferentes redes de layer 2. Como usuários frequentemente precisam transferir ativos entre ecossistemas distintos, a experiência acaba sendo menos integrada do que em blockchains que concentram todas as operações em uma única rede.

Mesmo assim, defensores do Ethereum argumentam que essa comparação ignora seu papel estrutural. Matthieu Saint Olive, gerente de produto da MetaMask, afirma que o Ethereum continua sendo a principal base de liquidação e de colateral para o mercado on-chain, permitindo que as redes de segunda camada ampliem a capacidade da plataforma sem abrir mão da segurança.

À medida que investidores institucionais passam a acompanhar mais de perto os derivativos descentralizados, o debate também evolui. Em vez de questionar a viabilidade dos perpétuos em criptomoedas, o foco agora está na capacidade dessa infraestrutura competir com os mercados financeiros tradicionais em aspectos como liquidez, eficiência de capital, execução e previsibilidade.

Na visão dos participantes do setor, Solana e Hyperliquid podem continuar liderando as negociações de alta velocidade, enquanto o Ethereum reforça sua posição como a principal camada de liquidação e infraestrutura financeira do ecossistema.

O sucesso dessa estratégia, porém, dependerá da evolução da interoperabilidade entre as redes de segunda camada e da redução da fragmentação da liquidez.