Um grupo de pesquisadores apresentou uma proposta que pode transformar o modelo financeiro da rede. A ideia central é aplicar um limite ao staking de Ethereum, reduzindo gradualmente as recompensas dos validadores até zerá-las caso o protocolo alcance 50% da sua oferta bloqueada.
O documento, que conta com a assinatura de desenvolvedores da Fundação Ethereum como Justin Drake, sugere uma “queima cônica de emissão”. Na prática, isso significa destruir de forma permanente uma parcela dos rendimentos pagos à medida que o volume total travado na rede aumenta.
A proposta define um ponto de saturação de aproximadamente 60,25 milhões de ETH, o equivalente à metade do suprimento atual do mercado. Ao atingir essa marca, a taxa de queima chegaria a 100%, cortando totalmente a emissão de novas moedas para quem realiza as validações.
O impacto do limite no staking de Ethereum e no ecossistema DeFi
O objetivo da mudança é evitar a concentração de poder nas mãos de grandes corretoras. Segundo o documento, “além de um certo nível, o acréscimo de depósitos torna o Ethereum menos seguro, não mais”, pois a contribuição para a segurança econômica cai enquanto os riscos operacionais se acumulam.
A possível mudança gerou debates intensos entre especialistas e investidores. Stani Kulechov, CEO da Aave Labs, criticou o projeto afirmando que “para o DeFi, ao passar para uma recompensa de 0%, isso torna as estratégias de empréstimo de ETH quase inviáveis e mata os casos de uso de rendimento”.
Por outro lado, o chefe de pesquisa da Grayscale, Zach Pandl, enxerga um benefício claro na contenção da inflação. Ele argumenta que “a redução na oferta tem uma implicação de primeira ordem para o preço do ETH”, avaliando que o corte no staking de Ethereum favorece a valorização direta da criptomoeda.
Para suavizar o impacto no mercado, os autores propõem que os rendimentos atuais caiam de forma gradual ao longo de 18 meses. O projeto foi enviado antes do prazo final de propostas e pode ser incluído na próxima grande atualização da rede, batizada de Hegotá.


