A estratégia ambiciosa do Ethereum para se tornar imune à ameaça quântica

A estratégia ambiciosa do Ethereum para se tornar imune à ameaça quântica

Os desenvolvedores da rede propuseram uma reformulação no contrato de depósito de staking, preparando o terreno para um Ethereum pós-quântico. A mudança foca em proteger os mais de US$ 100 bilhões travados na camada de segurança da rede contra as ameaças de futuros supercomputadores.

O projeto atual do contrato limita o tamanho das chaves públicas a 48 bytes e os metadados a 96, utilizando um padrão chamado BLS12-381. No entanto, os métodos de criptografia exigidos para um Ethereum pós-quântico demandam um espaço consideravelmente maior, algo que a estrutura atual não consegue fornecer.

A nova proposta permite que as chaves de segurança e as credenciais cresçam para até 8.192 bytes. Com essa alteração, cada depósito poderá declarar qual esquema de credencial está utilizando, deixando o espaço aberto para as tecnologias de segurança avançadas que serão definidas no futuro.

Como a transição para o Ethereum pós-quântico vai funcionar

O novo contrato operará em três modos diferentes: desativado, padrão BLS ativado e padrão BLS aposentado. Quando a rede decidir aposentar o sistema atual, um comando bloqueará permanentemente a entrada de novos usuários com a tecnologia de assinatura antiga.

Segundo Thomas Coratger, um dos autores da proposta, a criptografia que baseará essas mudanças ainda está sendo debatida por especialistas. Em suas redes sociais, ele resumiu a complexidade do tema afirmando que “a criptografia pós-quântica não é uma atualização simples”.

O projeto atual ainda é considerado um rascunho e aguarda revisão dos editores da rede. Para que as mudanças entrem em vigor, será necessária uma atualização coordenada abrangendo as diferentes camadas do protocolo.

A urgência do tema tem base em dados reais do mercado. Um relatório da empresa de segurança Project Eleven apontou que máquinas capazes de quebrar as assinaturas atuais podem surgir até 2033, com chances de isso acontecer já em 2030.

Atualmente, mais de 65% de todo o suprimento da criptomoeda está em endereços expostos na rede, vulneráveis a esse tipo de avanço tecnológico.